domingo, 10 de outubro de 2010

"O DESTINO DE POLLY"

CAP. 14 Polly fora matriculada na mesma escola e mesma sala de Looping, uma boa escola Montessori próxima á casa. Era na parte da manhã, ás 9 horas e nenhuma das duas tinha qualquer dificul dade em acordar e levantar cedo, o que era uma benção. Já munida de material - tudo com moti vo de cachorrinhos variados, escolhido por ela mesma - fora levada com a irmã á escola. Era o pri meiro dia de aula para ela. Uma vez já lá dentro: -Olá, Polly - cumprimentou a professora com doçura - me chamo Marina e sou sua professora. Você e Looping estão na mesma sala, vão estudar juntas, seus novos pais contaram tudo na dire ção aqui da escola. -Prazer, profesora - voltou-se ela - e obrigada. Sabe que no Brasil, onde eu morava, as crianças costumam chamar os professores de 'tios' e 'tias', mas aqui não pareceser assim, pelo que vi. -Pode me chamar assim sim, a Loo também me chama de 'tia' hahaha Aliás, todas as crinças me chama assim. Vamos entrar então, turma? Tá na hora! Já na sala de aula... -Muito bem, crianças... quero apresentar a nova amiguinha de vocês e claro, que a tratem bem, com respeito como a todo mundo, está bem? Está é Polly, irmã da Looping. -Nem é de verdade, né? - indagou uma das crianças - até um tempo atrás, a Loo não tinha ne nhum irmão ou irmã. -É verdade - confirmou a professora - mas como o mundo dá voltas e a vida é uma caixinha de surpresas e nos prega muitas peças, ela foi adotada. Mas isso NÃO é motivo de preconceito ou comentários maldosos, certo? Nos dias de hoje, a adoção é um ato normal, não torna ninguém diferente, superior ou inferior. Lembrem-se que Jesus foi adotado por José na terra. -Desculpe, não quis ofender, só foi um comentário, porque antes, ela era filha únca. -De onde você veio? - quis saber outra criança. -Do Brasil - respondeu ela, agora sentada com a nova irmã. -São Paulo ou Rio de Janeiro? -Na verdade, sou de bem de lá do Amazonas, meus pais verdadeiros são descendentes de índios e negros. Depois, fui pra São Paulo, onde os pais da Loo me pegaram. E você, de onde é? -Sou daqui mesmo. Meu pai que é brasileiro, do Rio de Janeiro. Viemos para ele trabalhar aqui a mando da empresa. Me chamo Rose, prazer. -O prazer é meu, sou a Polly. -Polly Pocket, a bonequinha - brincou um garoto no fundo da sala. -Bonecona, você quer dizer, né, Magno? E viva ainda - voltou-se Rose para a colega. -Meu Deus! Magno... parece nome de arma! Cada um podia escolher o material e a atividade que desejasse para fazer, Looping e Polly pega ram um livro para lerem juntas, os outros ocupavam-se com outras coisas. Dois garotos jogavam dominó ao canto. Meia hora depois, o sinal tocou, anunciando o intervalo dos pequenos do Jar dim. Munidos de seus lanches, eles saíra em filas. -Todos lavaram bem as mãos?- indagou a professora. Eles assentiram positivamente - vou olhar um por um, hein? Quem não lavou vai ter cosquinha! -Ela sempre faz isso? - perguntou Polly á irmã, ambas de mãos dadas e lancheiras penduradas ao corpo. -Faz - respondeu - e as cócegas também. Pra fazer a gente aprender rindo, enquanto muito adulto por aí... -Bate - cochichou - eu sei, era o que meus pais de sangue faziam. -Ops, desculpe! Não queria... -Ah, tudo bem - a menina deu de ombros - já passou. Minutos depois de tomarem seus lanches, todos escovaram os dentes e foram brincar. As duas pegaram cada uma um balanço lado a lado e, alternadamente começaram, ganhando altura como a um Kamikaze dos parques. -Meninas, mais baixo e devagar, por favor - advertiu a professora, olhando. Elas diminuiram até parar e novamente, de mãos dadas, saíram para brincar de outra coisa. O tempo estava ameno e todos estavam de legging azul, camiseta branca de manga curta com o logo da escola e sapatos variados de cores e modelos diferentes, as duas de all star branco de cano na canela. A maioria os tirou e ficou descalça para brincar na areia do playground, menos as duas. A professora havia ido se juntar aos outros, as crianças já estavam acostumadas a brincar sozinhas e os adultos só inter vinham quando realmente necessário. Foi quando aconteceu: elas andavam conversando quan do, sem notar, pisaram em um bolo de chiclete que alguém jogara ali e grudou em ambas, colan do uma á outra. Mas como estavam de tênis, conseguiram tirar com o auxílio de um pedaço de pau e foram ao enorme banheiro para limpar o que sobrou. E encontraram uma garota terrível, de nome Tiffany, que adorava zoar todo mundo e, dessa vez, resolveu pegaras duas para Cristo. Fechou a porta do banheiro e virou-se: -Sentem-se aí no chão - ordenou - e segurem o pau. -Pra que vamos fazer isso? - indagou Polly. -Ela é louca mesmo - mumurou Looping - o nome dela é Tifanny. Estuda aqui desde o mater nal e agora no Jardim, adora zoar os outros com umas brincadeiras esquisitas. -E temos que obedecer a ela? Não é nossa mãe, nem nada! -Mas é melhor, senão ela acaba de vez com a gente. Vamos sentar, deixa que eu seguro o pau. Caramba, que chicletão! -Eu, hein? Vamos vazar daqui e contar a alguém, isso sim - sugeriu Polly. -Nem pensar, vocês não vão sair - voltou-se a outra garota - eu tranquei a porta. -A gente abre, oras - desafiou Looping - não somos aleijadas, temos mão! -Vocês vão ficar sentadas aí, enquanto eu estiver aqui. Tirem os tênis e as meias! As duas obedeceram, relutantes. Colocaram as meias dentro dos mesmos e deixaram no canto próximo á pia. -Não é aqui que seus tênis vão ficar - voltou a outra, pegando-os e colocando dentro da última cabine de banho ao canto. -É melhor avisar pra não tomarem banho aí, senão molha tudo! -Esse chuveiro tá quebrado, não funciona! Me dá o pau aqui! A garota louca passou o bolo de chiclete do pau ao pé de uma e mandou-a juntá-lo ao de outra, para prender bem. -Vai ser como uma algema. Vão até o espelho agora e veja como estão. Tchau! Em uma parede do banheiro havia um imenso espelho do chão ao teto, onde elas puderam se ver. E para a sorte (será??) não entrara mais ninguém ali. -Caramba, aquela doida nos prendeu - murmurou Polly - estamos ligadas pelo chiclete. -Nossa, e agora? - sussurrou a outra - pior é que ninguém pode ver a gente assim, senão vai ser a maior confusão. -Por outra lado, não vão poder soltar a gente, aí vamos ficar presas para sempre! -É, legal. Assim, ninguém separa a gente. -É, tem isso - voltou-se Polly - podemos falar que o chiclé grudou e secou. -As 'irmãs clicletadas' - confirmou a mais velha - o problema vai ser pra trocar de roupa, calçar meia, sapato, sair... -Pior! Todo mundo vai olhar e ficar perguntando, imagina o bafafá, o embaraço! E pros nossos pais então... As duas deram ambas as mãos de frente uma para a outra e, diante do espelho, ficaram sacu dindo os pés presos para ver se soltava, mas que nada!- Nossa, aquela doida da Tifanny grudou mesmo essa coisa na gente, não sai mais! -Era só um bolinho que algum sem-educação jogou lá no chão. Pô, existe lixeira pra quê, enfei te?? E não podemos pisar com esses pés no chão, senão ferra tudo!

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