domingo, 10 de outubro de 2010

"O DESTINO DE POLLY"

CAP. 12 No aeroporto, a família estava caminhando, as malas já no bagageiro do avião. Começaram a su bir os degraus de embarque, quando Seu José e D. Lolita apareceram, dizendo a si mesmos e aos outros que estavam a passeio e reconheceram de longe a filha. Correram para tentar impedir que ela embarcasse, mas foram barrados pelos seguranças e pelo detector de metais. -Vamos entrando, meninas - incentivou Imperator, empurrando-as muito levemente. As três subiram e ele as seguiu como escolta. Nenhum membro da família parou, nem mesmo olhou para trás. Entraram e sentaram-se em seus lugares, a porta foi fechada e, ganhando velocidade na pis ta, o jato da Gol finalmente decolou e ganhou o céu azul. Enquanto isso, ainda no aeroporto, o ca sal ainda reclamava. -É nossa fia, eles levô ela - urrava a mulher. O segurança interveio: -Eles mostraram todos documentos provando que a menina é daquela nova família. -Qui raio di paper, nossa fia nun tem paper ninhum! -Pois agora tem. Eles a adotaram por decisão do juiz - voltou-se o segurança. -Diacho - explodiu agora José - pra donde eles foi? -Para os Estados Unidos, onde moram. -Donde qui essa coisa fica? - indagou a roceira. -Fora do Brasil, na América do Norte. Outro continente. A informação do segurança mais confundiu o casal do que o ajudou, pois nenhum dos dois, sem qualquer instrução, nem mesmo sabiam o que era o ABC, quanto menos tinham qualquer noção de geografia. -Esses tar 'istado' é longe, hómi? -Longe pra caramba! Os dois agradeceram, deram as costas e foram embora. Na velha picape, discutiam. -Si ocê num tivesse botado ela pra fora naquele dia, nada disso tinha si assucedido - exclamou a mulher, furiosíssima. -Uai, num podia divinhá qui arguém ia querê i pegá ela - retrucou o marido - era noite i nois num sabia, nem viu qui tinha gente bizoiando di longe. Nois pegô istrada vazia pra mor di ninguém vê nois! -I óia o qui nois demo - voltou-se a esposa - jogamo ela nas mão di gente di cara bo aqui mudô a vida daquela disinfiliz! Agora ela tem tudo o qui nois impidiu di tê. -Curpa daquela dona dotora - retrucou o marido. -Im premero, curpa daquela Dalila inxirida, ninguém mandô ela levá nossa fia no dotor! -Tem razão, nois divia tê impidido naquele dia, é vredade!

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