domingo, 10 de outubro de 2010
"O DESTINO DE POLLY"
CAP. 1
Eram 6 horas da manhã e Seu José, pai de Polly, entra no quarto furioso, esmurrado a porta e, aos berros, acende a luz e arranca a fina coberta de cima da garota, acordando-a.
-Levanta logo, sua vagabunda priguiçosa e vai trabaiá! E vê si pára di sonhá, que sonho é luxo de gente rica, cum grana pra realizá!
D. Lolita assiste a cena e aprova a atitude do marido.
-Num ouviu teu pai? - urrou ela, agarrando a menina pelo braço e jogando-a com violência ao chão - priguiça é pecado e quem peca, Deus castiga. Vai comê pão amanhecido i duro, sem nada e um pingado di café, pegá na inxada i vazá pro campo. Tem muito trabaio á tua ispera!
Polly se levantou com dificuldade e foi ao banheiro, onde fez xixi e lavou as mãos e o rosto. Era mês de junho, estava muito frio e a família morava em zona rural bem pé deserra, na minúscula cidadezinha roceira de Cruz-Credo, tão afastada que parecia nem mesmo existir em mapa algum. E, sem instrução ou estudo algum, falavam caipirês mesmo, como a família do Chico Bento. Era nos cafundós do Judas, prá lá do Amazonas e descendentes de índios e negros. Faziam a menina praticamente de escrava e prisioneira em sua própria casa, com direito a toda sorte de humilha
ções e maus tratos que a família impunha, além de criar confusões e brigas com quem ousasse interferir em sua vida ou tentasse ajudar pelo menos a filha.
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