domingo, 10 de outubro de 2010

"O DESTINO DE POLLY"

CAP. 28 Foi em um desses dias, na saída da escola, que Imperator apareceu, aguardando na sala da dire ção, conversando com D. Jurema, que pedira para chamar a menina. Os outros alunos já haviam saído. -Polly - chamou D. Maria - por favor, venha comigo até a diretoria, sim? D. Jurema pediu para te levar lá. -Ai, mu Deus - murmurou - o que eu fiz de errado? -Não se preocupe, não é nada de ruim - tranquilizou-a a professora. Chegaram á porta e ela ba teu levemente. -Pode entrar, Polly - anunciou D. Jurema. -Com licença- pediu, entrando. -Toda- disse - por favor, feche a porta ao passar. Ela a fechou e voltou -lembra-se do Sr. Impe rator Salvatore? -Sim, claro - respondeu a menina, agora sorrindo, o moço sorriu em resposta. -Que ótimo - disse ele - Pollynha, vim te buscar para voltar a viver conosco. Isso é, se ainda qui ser. -Obrigada, quero sim e muito! -Por favor, desculpe pela demora, é que... -Meus pais procuravam dificultar tudo, se afastando comigo, eu sei. -Até te obrigaram a voltar á aparência anteior, de menina roceira e pobre para não ser reconhe cida por aí... Por que está tão séria, Pollynha? -Ah, desculpe. A gente vai crescendo e mudando. E a tia Neeor e a Loo, como estão? E você? -Estamos bem, obrigado. Mas ficamos tristes por ter te perdido, a Loo está super arrasada quan do te tiraram de nós. -Desculpem a minha intromissão, por favor - disse a diretora, curiosa - mas o nome da filha de vocês é Looping? Isso é nome de brinquedo de parque! -É sim. Looping Star - disse ele- homenagem a uma grande amiga já falecida de minha esposa. Onde nós moramos é costume usar estes nomes. -E aqueles papéis de adoção que fizeram naquela vez - voltou a dizer agora Polly, mudando de assunto. -Está tudo certo e não é preciso levar nada - disse ele - tudo seu está em casa. Vamos então? -Vamos. Mas e meu material aqui da escola? -Não precisa - voltou-se ele novamente. -Pode deixar para outra criança - sugeriu a diretora, sorrindo - vão com Deus. -Obrigada - respondeu Polly - fiquem com Ele vocês também. Ela virou-se e o evolution, estendendo a mão com a palma virada para a parede, abriu o portal e os dois passaram, a passagem fechando-se em seguida, e já se encontravam em casa, com Neeor e Looping correndo a recebê-los, comemorando com uma viagem inesquecível á Disney. F I M.

"O DESTINO DE POLLY"

CAP. 27 Na escola, que nem nome tinha, os outros alunos até eram mais apresentáveis. Alguns eram de família roceira como Polly, mas em condições melhores. Os pais trabalhavam e as casas, mesmo em roça, eram mais decentes e tinham tudo o que seus pais podiamlhes dar. -O que houve, Poly? - indagou D. Maria, a professoa, ao ver sua desatenção - não se alimentou hoje? -Ela nunca come nada por que não tem - respondeu Célia, a colega mais endinheirada. Seus pais eram os fazendeiros mais ricos da região - os pais dela não trabalham e nunca têm nada, a casa é um cubículo caindo aos pedaços. É ridículo, uma vergonha! -Já chega, Célia, por favor - advertiu a professora - Polly, quero conversar com você depois, está bem? Ela engoliu em seco, temerosa. Seus pais a puseram ali por obrigação, mas proibiram-na termi nantemente de contar qualquer coisa sobre sua vida e sua casa a qualquer pessoa, caso contrário, se arrependeria de ter nascido.. -Desculpe, professora - murmurou, cabisbaixa - mas não posso falar nada pra ninguém, senão meus pais me castigam. -Vai ver, os pais dela proibiram, sei lá - interveio Ana, outra aluna - melhor deixar...

"O DESTINO DE POLLY"

CAP. 26 O tempo foi passando e Polly continuando na esperança silenciosa de rever Neeor e voltar a vi ver com ela, Imperator e Looping Star, que continuava arrasada com a perda da nova irmã. Mas seus pais biológicos, como havia dito, procuravam sempre dificultar toda e qualquer tentativa de (re)encontro e (re)aproximação. Agora ela estava com 12 anos, corpo e mente mudando e cada vez mais introspectiva. Estudava em uma escola pública próxima á sua pequena e nova roça só por obrigação imposta pelo governo. Uma assistente social fora até sua roça, mas não fora bem recebida. -Cuida da tua vida, muié - gritou José - é feio si metê na vida dos otro! -Ás vezes é preciso fazer feio, senhor - disse ela, com calma - fui enviada aqui por... -Nois num qué nem sabê quem mandô tu aqui, nem pra mor di quê - retrucou D. Lolita, enfeza da - some, vaza, fora da minha casa! -...Para ajudar a vocês - murmurou. -Ajudá? Ninguém nunca feiz nada pa nois, pru que agora.. -Nunca é tarde, senhora. -Sinhora é a vovozinha, i pra nois é muito tarde, pru que nois num qué nada di ninguém! Nois tem qui aprendê a si virá sozinho como sempre! FORA!!

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CAP. 25 Infelizmente, Seu José e D. Lolita consguiram levar a filha no dia seguinte. Imperator já estava no Brasil para tentar desfazer o mal entendido e resgatar a menina, mas seus pais, pressentindo algo, faziam de tudo para dificultar, afastando-se cada vez mais, além da mãe pegar uma tesoura e, sob protesto, cortar o cabelo da filha que, durante todo o tempo que passou fora, já chegava á cintura, liso e brilhante. -Seu cabelo num era anssim, o qui tu feiz? - perguntou a mulher. -O qui si sucede, muié?- chegou o esposo. -Eu num sei o qui essa minina feiz nesse cabelo - reclamou - num era liso e cheio di brio desse jei to! -Vai vê, aquela dona dotora deve tê feito argo quando essa aí - ele apontou a filha com desdém - ficô cum aqula famia nos intrangero. Vai cortá? -Vô - respondeu Lolita - tô sintindo argo i num quero qui ela seja levada imbora pra longe di no vo. Intonce, tô fazendo di tudo pra tentá num dexá ela sê reconhecida. -Eu digo que sou eu se me encontrarem - retrucou Polly. -Tá falando deferente, aquela famia deve di tê insinado i botado na iscola - comentou o pai, car rancudo e amargurado - argo qui ninguém nunca feiz pra nois! BINGO!! Aí está, com certeza expuseram, por meio do comentário amargurado do pai, a inveja e o ciúme da filha. Realmente, ninguém jamais fizera por ele e D. Lolita o que fizeram e deram á menina: amor, carinho, suprindo as necessidades emocionais, básicas e materiais a que todo ser humano tem direito. Escola, passeios, roupas e sapatos, saúde, brinquedos e limentação, um teto e família de verdade. Então, a fizeram vestir a velha roupa detonada de roça, calçar os velhos chi nelos havaianas e a espancaram por tudo oque ela teve de bom na vida com a família da médica.

"O DESTINO DE POLLY"

CAP. 24 Ainda no abrigo, já era noite, quando Polly dormia, e sonhou. Sonhou com a nova família e com o reino EK, sobre o qual jurou guardar segredo, pois ninguém acreditaria. Sonhou com os aconteci mentos recentes, a escola em que havia entrado, tudo o que havia ganho - roupas, spatos novos e brinquedos, material escolar, livros, e o mais importante: amor e carinho. Tudo o que, num bre ve intervalo de tempo, fora-lhe tirado á força. Chorou silenciosamente, quando uma barulheira se fez ouvir. -Viemo catá a guria - disse José, arreganhando as portas com violência. -Chhh, quer acordar todo mundo? Não sabe que horas são? - esbravejou a diretora, que acor dara como ruido. -Nois num sabe vê hora, dona - disse ele - intonce, pra nois, esse montuera di número nessa coi sa redonda num interessa! -Só viemo buscá nossa fia, muié - disse agora D. Lolita - o dotor juiz disse que mandô ela pra cá. -Mas poderiam ter esperado até amanhã - enfatizou a diretora - não permitirei que a carreguem a essa hora da noite, está muito frio! -Ara! Criança tem qui aprendê a sê dura i forte e guentá essas coisa - zangou-se ele. -Criança alguma tem de carregar fardo algum nas costas - voltou-se a diretora - por favor, quei ram se retirar ou chamarei a polícia. Voltem amanhã e boa noite.

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CAP. 22 O que Pollynha mais temia infelizmente aconteceu: ela teve que ser levada ao Brasil á força pela assistente social, já que os novos pais tentavam escondê-la, e, a mando da justiça, pelo juiz Dr. Benicio, foi internada em um abrigo infantil, e seus pais biológicos foram logo avisados. -'Perdi todos eles...' - murmurou ela, sozinha no pequeno quarto, as lágrimas rolando - 'tudo se acabou... quero voltar com eles... Neeor, Impy, Loo...' -Você foi trazida pela assistente e seus novos pais foram proibidos pelo juiz de se aproximarem de você - murmurou uma funcionária do abrigo, branda, entrando no quarto e sentando-se dian te dela - sinto muito, criança. Infelizmente, a vida é cruel e nos tira o que ganhamos. -Não devia ser assim com as crianças. Dizem que Deus é bom e gosta da gente, quer ver as pes soas sorrindo, mas eu não acredito... -Não acredita em Deus? Por quê? -Olha a prova aí! Me tirar de uma boa família que me adotou na frente de juiz é um motivo. Quantas pessoas, quantas crianças passam por coisas até piores! Se tudo o que dizem sobre a bondade de Deus fosse verdade, nada de ruim acontecia com ninguém. Meus pais de sangue são... como se chama mesmo? -Ateus. Ateu é quem não acredita em Deus, Maria, Jesus, nos anjos e santos - explicou a moça - e te ensinaram a não acreditar, é isso? -É, é isso aí. Mas a minha família nova...- aqui, as lágrimas voltaram a rolar ainda mais forte - por que o juiz proibiu de me ver, mandou me tirar deles? -Sinceramente não sei - respondeu a funcionária - mas olha... acredite, tenha fé, que tudo vai dar certo no final, está bem? Nunca deixe a esperança morrer. De volta aos EUA, em casa... -Devíamos ter ido, protegido, não deixado aqula bruxa levá-la, Impy! Quando a adotamos, jura mos protegê-la e os pais verdadeiros dela só a maltratam... - ela chorava, o esposo a abraçou fortemente. -Eu sei, e é o que vamos fazer, vamos ao Brasil buscá-la, queira a justiça ou não! Até a Looping está arrasada. Olha, é melhor as duas ficarem com Russell na casa dele, por segurança. Eu vou sozinho, é mais difícil me impedirem de algo. -Vai buscar Polly de volta, né? - voltou-se a esposa. -Vou sim, que tudo dê certo. -OOOOOOOOOOOOBAAAAAAAAA!!! - explodiu Looping - tomara mesmo que ela volte! -Certo - assentiu a esposa, relutante em soltá-lo, as lágrimas rolando - vai com Deus e por favor, MUITO CUIDADO, está bem? Loo, arruma suas coisas, vou avisar o Russy.

"O DESTINO DE POLLY"

CAP. 21 Julho chegara ao fim e a família Salvatore, após vencer e derrotar Maximus, estava de volta ao mundo real para aproveitar e fazer outras coisas e ir á outros lugares além do reino, e também, se divertir um pouco em casa mesmo, até fevereiro do ano seguinte. As meninas assistiam de senho na sala de TV, Neeor consultando algo na internet e Imperator estava no chuveiro, quando ouviram batida de palmas no portão. -Pois não - atendeu Claudia [Lady Gaga], uma das empregadas - oque deseja? -Por favor, o Sr. ou Sra. Salvatore se encontra? -Vou verificar. Por favor, aguarde um momento - disse ela,voltando-se para dentro - Sr, Sra. Salvatore? Imperator, que acabara o banho e encontrara-se já vestido, desceu as escadas. -O que há, Claudia? Alguém chamando aí fora? -Sim, uma mulher o procura. Não sei direito se é assistente social ou juiza. -Obrigado, irei verificar - disse ele, saindo - sim, o que deseja? -Sr. Salvatore? Sou a Dra. Denise [Kristen Stewart], assistente social, e vim a mando do juiz Dr. Benicio, do Brasil, entegar-lhe este papel. É sobre a criança nova que pegaram. -Uma intimação, é isso? Mas a adoção foi oficial e legal, diante de juiz, e temos todos os documen tos. -Qual juiz atendeu vocês? - indagou D. Denise. -A Juiza Jane Silva [Ana Hickmann] - respondeu o moreno. -Terão que se entender com o Dr. Benicio [Oswaldo L, comu "ASNF"] - disse, enfática, o cabelo puxado para trás em um coque apertado e os óculos quadrados davam-lhe uma aparêcia severa, assemelhando-a ás professoras antigas do tempo da palmatória nas escolas. De nariz empinado, pediu licença, deu as costas e seguiu seu caminho. Virou-se antes, dando-lhe uma advertência - levem a criança e não tentem escondê-la ou será muito pior para ela e para vocês também. O moreno viu-a ir embora e entrou em casa, atônito. -'Só pode ser armação dos pais biológicos dela' - pesou. Procurou Neeor e mostrou-lhe, contando sobre a assistente. -Você é um evolution, Impy! E temos como preservar Polly sim, e a nós 4 por um tempo. No rei no - cochichou. -É verdade. Mas cedo ou tarde, teremos que enfrentar os problemas ao invés de fugirmos. E VA MOS vencer, pode acreditar. -Não estamos fugindo, apenas preservando as meninas. Qualquer coisa, esse tipo de gente da jus tiça pode tirar até a Looping de nós também. -Pior é que, no ano que vem, elas têm aula e, se faltarem vários dias, o pessoal da escola pode des confiar e levantar suspeita. -E se a mandarmos, aquela mulher pode aparecer por lá e pegá-las. Eu a vi da janela, é bem as sustadora. Seria uma péssima experiência para as meninas cair nas garras daquela bruxa. Acaba com ela, nosso Evolution! Os dois riram quando elas apareceram e eles as chamaram. -Filhotas - começou ele, sentando-se no sofá com a esposa. -Queremos conversar com vocês - completou a mãe, suave- por favor, sentem-se aqui.