domingo, 10 de outubro de 2010
"O DESTINO DE POLLY"
CAP. 25
Infelizmente, Seu José e D. Lolita consguiram levar a filha no dia seguinte. Imperator já estava no Brasil para tentar desfazer o mal entendido e resgatar a menina, mas seus pais, pressentindo algo, faziam de tudo para dificultar, afastando-se cada vez mais, além da mãe pegar uma tesoura e, sob protesto, cortar o cabelo da filha que, durante todo o tempo que passou fora, já chegava á cintura, liso e brilhante.
-Seu cabelo num era anssim, o qui tu feiz? - perguntou a mulher.
-O qui si sucede, muié?- chegou o esposo.
-Eu num sei o qui essa minina feiz nesse cabelo - reclamou - num era liso e cheio di brio desse jei
to!
-Vai vê, aquela dona dotora deve tê feito argo quando essa aí - ele apontou a filha com desdém - ficô cum aqula famia nos intrangero. Vai cortá?
-Vô - respondeu Lolita - tô sintindo argo i num quero qui ela seja levada imbora pra longe di no
vo. Intonce, tô fazendo di tudo pra tentá num dexá ela sê reconhecida.
-Eu digo que sou eu se me encontrarem - retrucou Polly.
-Tá falando deferente, aquela famia deve di tê insinado i botado na iscola - comentou o pai, car
rancudo e amargurado - argo qui ninguém nunca feiz pra nois!
BINGO!! Aí está, com certeza expuseram, por meio do comentário amargurado do pai, a inveja e o ciúme da filha. Realmente, ninguém jamais fizera por ele e D. Lolita o que fizeram e deram á menina: amor, carinho, suprindo as necessidades emocionais, básicas e materiais a que todo ser humano tem direito. Escola, passeios, roupas e sapatos, saúde, brinquedos e limentação, um teto e família de verdade. Então, a fizeram vestir a velha roupa detonada de roça, calçar os velhos chi
nelos havaianas e a espancaram por tudo oque ela teve de bom na vida com a família da médica.
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