domingo, 28 de fevereiro de 2010
"CHAMAS DE RAKVERE 3" - Capítulos
CAP. 1
-A senhora se acha em condições de retornar á sua casa, Sra. D`Arc? - indagou um médico residente de meia idade.
-Ora, que audácia, doutor! - exclamou ela, brava - me produzo toda para me sentir jovem e lá vens tu me chamando de... senhora? Ah, faça-me o favor!
-Santo Deus, desculpe-me então! - voltou-se o médico, aturdido - nem o acidente e o
coma afetaram seu espírito, pelo que vejo, hein? Só perguntei por você precisar enca-
rar uma longa viagem, já que mora em outro país!
-Nem tão longe - retrucou ela - hoje existe o avião, que é rápido! Só me diga por fa-
vor, se há algo a tomar ou passar.
-Só a pomada que lhe dei para aliviar o ardor das queimaduras - respondeu ele - vá com Deus e boa viagem.
-Obrigada e fica com Ele também - despediu-se ela, apanhando a única bagagem que trouxera, um apequena valise bege. Pediu um taxi na saída do hospital e anunciou ao entrar: - aeroporto, por favor. O mais vazio possível. Tenho um pouco de pressa para
retornar. Compromissos... qual é o mais aliviado?
-É o aeroporto de Guarulhos - informou o taxista - na verdade, quase ninguém viaja nesta época do ano, pleno mês de maio. Trabalho, escola...
E lá se foi a Sra. D`Arc para o aeroporto. Chegando, desembarcou e indagou ao homem o preço da corrida. pagou e disse-lhe poder ficar com o troco.
-Obrigado - disse ele - tem para a passagem?
-Tenho sim - disse ela, após conferir e guardar a carteira na pequena valise - obrigada e bom serviço.
Ela entrou no aeorporto e foi até o guichê para comprar a passagem. Conferiu os de-mais documentos, entre eles, o visto e o passaporte. Talvez fosse preciso.
-Está aqui sua passagem - disse a vendedora - plataforma seis e o único jato da Tam a aguarda. Boa viagem!
-Obrigada - disse ela, pegando a passagem e caminhando para o local indicado. Sua
única bagagem foi verificada e logo liberada. Leonora pegou-a e entrou no jato, junto
a outros poucos passageiros que seguiriam para o mesmo lugar.
CAP. 2
Era mês de maio, época de verão e férias escolares na Estônia e, com ele, a Virada Cultural, um evento de grande repercussão no país, com shows, exposições e diversão para moradores e turistas de várias partes do mundo, organizada pelo Sr. Tuur. E desta vez, haveria até demonstrações dos cães da Polícia local. Após o incêndio ocorrido há seis anos atrás, o Enterprise Snoopy, sem salvação, dera lugar á Belatrix, o enterpriseamarelo de propriedade do empresário.
-Marina não deixou colocar Bailarina - comentou ele com um velho amigo residente da
cidade vizinha - ficou com medo de acontecer o mesmo que houve com o outro.
-Criança tem cada uma... - murmurou o homem em tom de deboche - eu mesmo tive minhas manias, mas isso é fase. Logo passa...
-O senhor costuma cuidar de suas coisas mesmo após adulto? - indagou Tuur em tom de conversa.
-Se não cuidarmos, quem cuidará para nós? - interpôs o outro.
-Bailarina é a maior paixão de Mari e elas não se desgrudam. Uma cuida e protege a outra.
-Está aí o absurdo, amigo! - voltou-se o outro em tom zombeteiro, enquanto caminhavam pelo parque sob a luz solar das duas horas - um Enterprise é só um
brinquedo, como vai proteger e cuidar de alguém?
-Ela tem um dispositivo especial e é programada para fazer muitas outras coisas além de girar com as pessoas a bordo - explicou o loiro - é a tecnologia, meu caro!
-Mas só ela? - indagou o outro.
-Todos os meus - respondeu o empresário - Belatrix ali é um deles. Mas a novidade
para este ano é este aqui!
-Um... Evolution!? - exclamou o outro, surpreso - mas já entrou em operação?
-Sim, ontem - respondeu ele - Marina o aprovou e até o operador, está ficando craque nessas máquinas!
-Quantos anos ela tem, afinal? - quis saber o velho.
-Seis - respondeu o empresário.
-Não deveria deixá-la fazer isso, nem mesmo se aproximar! É muito criança para essas
coisas! Eu não deixaria...
-Meu caro, ela entra na cabine com os moços da equipe, pergunta como funciona, pede para a ensinarem e eles ensinam numa boa, e ela pega o jeito rapidinho! Cresceu em parques, literalmente, então já se acostuma!
-Mas deve haver sempre um adulto junto e não deixá-la mexer quando houverem pessoas a bordo. Na verdade, não deveria nem sequer deixá-la chegar perto da máquina, muito menos da cabine! É perigoso para crianças!
-Isso por enquanto ela não faz. Apenas quando não é hora de funcionar para o público.
-Olha lá, ouça oque estou dizendo, amigo... - bradou o velho - eu é que não me atrevo
a me aproximar, tenho um trauma terrível dessas coisas, me arrepia só de olhar!
E falando na menina, onde ela está?
-Com os pais adotivos em casa, deverá vir mais tarde.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, o jato pousa no aeroporto e Leonora D`Arc
desembarca e, por sorte, revê Patrick, que surge de carro por ali e lhe dá uma carona.
-Leo! - exclamou ele - como foi lá, tudo bem?
-Sim, tudo bem, graças a Deus, tirando uns contratempos, mas nada que me abalasse.
E por aqui? - continuou ela - tudo em ordem?
-Sim, além de uma notícia bombástica!
-Ah, meu Deus! - exclamou ela - qual?
Aquela menina Marina, lembra-se? Então, foi feito um DNA e comprovado: ela é filha biológica do Sr. Tuur com a falecida Kristanna Schwarzkopf!
-Oquê? - ela deu um salto que lhe causou uma cabeçada no teto do veículo - como assim, Patrick?
-Ora, Leonora! - exclamou o rapaz - você trabalhou para ele, nunca soube de nada?
-Sobre a vida pessoal e o passado, nunca - respondeu ela - mas também, nunca me interessei em questioná-lo, era muito na minha, reservada.. era apenas secretária!
Mas quanto á menina, ela fica com ele?
-Não, fica com aqueles dois jovens, os pais adotivos.
-Russell e Celine?
-Isso! Moram aqui em Rakvere agora, mas no centro. Não sei exatamente aonde...
-Não consigo acreditar ainda... - murmurou ela - Marina, filha legítima do Sr. Tivoli Tuur... preciso conferir essa história toda de pertinho! Onde ELE está agora?
-No recinto de festas, no parque - respondeu o moço - estamos em maio, mês da Virada Cultural.
-Xiii, é mesmo! - exclamou ela - direto para o recinto, por favor!
Cinco minutos e lá estava ela no parque, procurando pelo empresário.
-Sr. Tivoli Tuur? - chamou ela. Ele olhou subitamente para trás e levou um susto.
-Santo Deus! A assombração de Leonora chegou aqui! - exclamou o loiro. O velho amigo ao lado pôs-se rir. Não sabia de nada, nem ao menos a conhecia.
-Assombração é a vovozinha! - retrucou ela.
-Mas os jornais anunciaram que você havia morrido no acidente! - exasperou ele.
-Ainda não chegou a minha hora, Tuur, fique tranquilo. O acidente foi grave sim, porém apenas fiquei alguns dias em coma e ganhei umas queimaduras e escoriações - explicou ela calmamente - mudando de assunto, preciso ter uma conversinha em particular com você, quando poderá ser?
-Mais tarde - respondeu ele - estou verificando os últimos ajustes antes do povo chegar. A propósito, deixe-me apresentar um velho amigo meu, Roger Murdoch. Roger, esta é Leonora D`Arc.
-Prazer, Srta. D`Arc - cumprimentou ele. Ela devolveu o cumprimento educadamente.
-O senhor é daqui mesmo? - indagou ela.
-Moro em Tallin, mas sou romeno de nascença - respondeu o velho - e a senhorita é de onde?
-Nascida e criada no Rio de Janeiro, mas moro em Rakvere há três anos.
-Então é brasileira! Que maravilha! - contentou-se o homem - já estive no Rio há muito tempo, era criança ainda! Bom, não vou mais atormentá-la, Srta. D`Arc. Foi um grande prazer conhecê-la, com licença.
O velho homem afastou-se assobiando e Leonora aproximou-se do empresário, mas
algo ali chamou-lhe a atenção e ela não pôde deixar de perguntar.
-Oque é isso, Sr. Tuur? Que máquina é essa?
-Esse é o Evolution, a novidade do ano aqui na cidade! Lembra-se no ano passado, quando pegamos Marina naquele parque em São Paulo, enquanto Russell e Celine andavam em um brinquedo semelhante e ela ficava ali perto olhando?
-Sinceramente, não prestei a menor atenção ao equipamento, Sr. Tuur - respondeu ela, sem emoção - apenas peguei a menina e corri com ela para o carro e saímos logo.
Mas me diz uma coisa: ela andou nele também?
-Creio que não, ainda não deve ter altura para embarcar - respondeu ele - mas quan-
do não é aberto ao público, em horas que os equipamentos não funcionam, ela entra nas cabines com o pessoal da equipe e os opera para testes.
-Ora, ora - debochou a mulher - ela já está aprendendo a lidar com eles, é? Mas há algum em que ela não entraria, mesmo se pudesse? Algum que ela receasse...
-Ela nunca me disse nada a respeito disso - respondeu o loiro - na verdade, anda em todos os que sua estatura permite. Porquê?
-Por nada, apenas curiosidade...
-Não tente me enganar, por favor. Com certeza, deve haver alguma intenção sua por trás dessa suposta curiosidade, Leonora!
A doida tentou desviar o assunto.
-Ela é sua filha biológica na verdade, não é? Soube que fizeram o DNA e, mesmo as-
sim, prefere continuar vivendo com aqueles dois...
-Aqueles dois se chamam Russell e Celine!
-Os pais adotivos, eu sei... e Kristanna?
-Leonora, eu... - ia dizendo, mas ela o cortou:
-Não desconverse, Tuur! De mim, nada se esconde, entendeu?
-Não sou mais criança para ser ameaçado! E não vou lhe dizer mais nada, com licença!
-Vai sim - disse ela, segurando-o pelo braço - a idade dela, por favor...
-Solte-me, Leonora! - ordenou ele - ela fará sete anos no mês que vem.
Livre agora, ele afastou-se da morena, que ficou a observar a novidade da festa e uma idéia fez-lhe cócegas na mente. Nem sequer notara que o Enterprise agora era outro, ou seja, que Belatrix substituíra Snoopy.
CAP. 3
As horas se passaram. Já era quase cinco e Marina chegara ali no recinto com Russell
e Celine. Encontrara alguns colegas da escola que também aproveitavam as férias e
correu a brincar com Belatrix, sua Enterprise, que a reconhecera na hora. Os pais adotivos também embarcaram e, ao saírem, cumprimentaram a equipe que cuidava do equipamento. Avistaram Tuur, que aproximou-se e bateu um papo, enquanto a menina balançava no Barco com os colegas. Leonora aproximou-se como quem não quer nada.
-Ué! - espantou-se Russell - você não havia...
-Morrido? Sim - disse a mulher - foi oque a mídia anunciou, não sabia a verdade ainda. Tuur também assustou-se. O acidente foi grave sim, porém apenas fiquei alguns dias em coma, mas nada que me abalasse. Mudando de assunto, creio que já andaram nes
sa máquina atrás de vocês, não?
Os dois olharam para trás e Russell respondeu:
-Ah, o Evolution? Sim, no Playcenter, em São Paulo.
-Estávamos a bordo dele quando pegaram Marina, que ficou nos esperando. Ela não podia entrar - informou Celine. Nem imaginavam oque a doida iria fazer desta vez.
Talvez saberiam mais tarde, no decorrer do tempo.
-Pois é - continuou a morena carioca - ele é a novidade por aqui este ano. Lindo, não?
-É mesmo - notou Celine - todo iluminado, as luzes coloridas...
-Mas... cadê a Marina, afinal? - indagou a morena - não a vi ainda!
-Está brincando poor aí com os colegas da escola - respondeu o pai - férias escolares de verão... eles têm mais é que aproveitar, não é mesmo?
-Tem razão pra chuchu - ponderou a outra.
Foi só falar na menina e ela chegou ali.
-Ops! - espantou-se - tem uma assombração aqui entre nós ou...?
-Na verdade, ela não morreu, filha - explicou-lhe a mãe - a mídia anunciou errado, ainda não sabiam oque realmente aconteceu aquele dia.
-Ah, certo... - murmurou ela, dando de ombros.
-Marininha, soube que você opera alguns desses brinquedos, é verdade?
-Se estiver com um bisturi aqui comigo, sim - respondeu a menina, de brincadeira - é
verdade sim, mas só quando não vem ninguém.
-Mas - continuou a mulher - você espichou bastante para seis anos, hein? Quanto mede?
-Não sei - respondeu ela - porquê? Quer que eu seja modelo de novo?
-Hahaha claro que não, lindinha! - sorriu a mulher - me diz uma coisa... sei que sua maior paixão é o Enterprise e você não o troca por nenhum, mas ás vezes, anda nos
outros também. Andaria neste aqui, ó? - indagou ela, mostrando-lhe o equipamento
muito próximo - se puder entrar, é claro! Seus pais já foram e você ficou esperando...
-Ah, não sei - suspirou ela - quando via o de São Paulo dava muito medo, ele é alto
pra chuchu! Você andaria, D. Leonora?
-É ruim, hein? - respondeu ela - Deus me livre, não ando nem de carrossel! Mas sentiu
medo porque nunca foi, aí ele se torna mais assustador. Agora, talvez já possa, vem!
- convidou-a a mulher, pegando Marina pela mão. Levou-a para a entrada do ride.
-A altura mínima é 1,40, moça - informou um dos moços da equipe, que já a conhecia - Mari, encoste-se na fita métrica, por favor.
Ela assim o fez e todos ali ficaram surpresos. O moço então perguntou:
-De onde tirou tanta altura?
Tuur respondeu á ele:
-De mim e minha falecida esposa. Celine e Russell aqui são pais adotivos dela, Rupert.
-"Ah, perfeito!" - animou-se a bruxa em pensamento - "não escapará do Evolution!"
-Vamos comer alguma coisa, filhota? - convidou-lhe a mãe.
-Só depois de ir brincar com a Bela de novo - disparou a menina.
-Claro, filha - interveio o pai verdadeiro - ela é sua também! Pode ir!
Nisso, enquanto os três conversavam, Marina corria e Leonora a seguia. Mas não con
seguira pegá-la, pois a garota entrara e dispersara-se entre os outros pasageiros do
Enterprise, cujas gôndolas foram logo fechadas e pôs-se rapidamente a girar. E Mari-
na, a bordo, esquecia do mundo á sua volta, permitindo-se devanear um pouco.
-"Droga, ela escapou!" - exclamou a louca - "mas eu ainda a pego, ela será um presen
tinho especial para o Evolution!"
Eis que, naquele momento, ele surge logo atrás dela, com uma roupa azul-clara e es-
trelas minúsculas bordadas em prateado na gola, nas mangas longas e na frente da blusa. Era loiro, de olhos castanhos e mesma altura do empresário, porém, seu cabe-
lo era mais curto e puxado para trás, deixando-lhe á mostra a expressão séria e deter
minada e o olhar profundo. Assemelhava-se a um mocinho de cinema. Apresentou-se:
-Sou Lord Graham Evolution, meu pai foi criador do equipamento de mesmo nome e
me batizou assim.
-Sou Leonora D`Arc - voltou-se ela, um pouco espantada - prazer, Lord. Oque faz
por aqui na cidade?
-Mudei-me á poucos dias para aquele castelo no alto da colina, pode ver daqui? - inda
gou ele, apontando a imponente torre de um castelo, agora iluminada.
-Posso ver sim, apesar da escuridão da noite - respondeu ela - naquela colina bem alta, não é? Mais alguém vive com o senhor?
-Ora, por favor, não me chame assim - pediu ele.
-Se é lorde, faz parte da nobreza e merece respeito ainda maior - explicou-se ela rapidamente.
-Quando o nobre ordena determinado modo de ser tratado, Srta. D`Arc. Pode chamar-me apenas de Lord Evolution, está bem? Sinto-me melhor assim.
-Certo - disse ela, ruborizada - e tu podes me chamar apenas de Leonora. Mas oque
faz, não me contou...
-Por enquanto estou conhecendo a cidade - respondeu ele - pego crianças e jovens
que temem o equipamento criado por meu falecido pai e levo comigo para meu castelo.
-E oque faz com eles lá dentro? - indagou ela.
-Mantenho-os até que estejam preparados para embarcar em qualquer um deles.
Tenho muitos rodopiando pelo vasto e ilimitado quintal da propriedade.
-Ótimo, Lord! - exclamou ela - pensei em alguém que está aqui no parque agora.
Essa criança é perfeita e disse-me temer a máquina. Posso te dar um empurrãozinho!
-Um empurrãozinho? - indagou ele - como assim?
-Umas informaçõezinhas sobre onde seria o lugar ideal para pegá-la, por exemplo.
Já ouviu falar sobre Marina Schwarzkopf Tuur?
-Já sim - respondeu ele, sério - soube pela internet. E obrigado pela ajuda. Quanto ao resto, ajo sozinho, não procuro trabalhar em parceria nem mesmo com uma mosca!
Posso pegá-la agora mesmo, se for possível. Onde ela está?
-Neste equipamento aí, o Enterprise, que ela tanto ama - respondeu Leonora - é a
maior paixão dessa menina, ela tem vários também! Assim que ela desembarcar e sair
em meio ás pessoas, pegue-a disfarçadamente, de modo que ela não faça estardalhaço
para chamar a atenção, pois os pais adotivos e o verdadeiro estão aqui na festa!
-Poderei pegá-la e logo levá-la sem que eles vejam... - ofereceu-se ele - ótimo!
-Cuidarei do resto por aqui estes dias e o avisarei para trazê-la. Será aqui a experiência que ela jamais esquecerá! Pois aqui eu posso fazer uns ajustezinhos - disse agora ela, cochichando-lhe ao ouvido. Por sorte, ninguém mais a ouviu.
-Em que está pensando? - indagou o moço, sério - aliás, ela pode entrar?
-Pode sim, já foi medida na fita métrica ali na entrada da máquina - respondeu a bru-
xa - só deixa-me te dar um toque: amedronte-a bastante, até o momento certo, ok?
-Já disse que, quanto ao resto, trabalho sozinho e sei exatamente oque fazer.
-Certo e boa sorte! Vou sair para não haver suspeita. Vou distrair a família - sussurrou a mulher - com licença e se prepare, aí vem ela!
CAP. 4
E foi oque aconteceu: assim que Marina desembarcou e caminhou para a escada do deck, afim de descer, foi pega pela mão e conduzida para a saída do recinto, em meio á multidão que entrava e saía naquele exato momento. O lorde agiu naturalmente pa-
ra não despertar suspeita. Se saísse correndo, as pessoas poderiam gritar que era
algum sequestro e chamar a atenção, não apenas da família da menina, como também
das autoridades locais. Aí, o plano iria por água abaixo, pois na verdade, não era um
sequestro como oque estamos mais que acostumados a se ter notícias pela mídia, e
sim uma espécie de rapto, em que não se pede dinheiro ou qualquer outra coisa de
valor em troca da libertação do refém. É como em livors de histórias, contos ou aven-
turas de cinema que lemos ou assistimos. Nessa aventura, um moço aparece e segue
o plano de uma mulher maluca, que não sossega enquanto não satisfazer sua maior
vontade, que é tirar a criança de seu caminho e ter seu pai biológico apenas para si.
Como assim fazer isso? Simples: valendo até arriscar a vida da menina, lógico!
E os pais também se foram, após procurar pela menina e a mulher dizer-lhes que
ela havia ido para csa de algum colega que encontrara pela festa. No dia seguinte,
porém, Tuur estava em casa e ligou o computador. Nisso, o telefone tocou:
-Alô, quem fala? - indagou ele.
-Aqui é a mãe de Cristian, colega da sala de Marina - informou uma voz feminina do
outro lado da linha - olha, perdoe-me por assustá-lo, Sr. Tuur, mas vi a menina ser
levada por um estranho, que aproveitou a multidão na portaria do recinto.
-E a senhora saberia informar o nome desse homem, por favor, D. Clara?
-Ouvi um conversa, meio que de longe, em que ele apresentava-se a uma mulher como Lord Evolution ou algo assim - respondeu a voz. Tuur agradeceu-a e desligou o
telefone, colocando o aparelho de volta á base. Acessou a internet á procura de
algo sobre esse homem. Encontrou por fim, e leu.
-Minha nossa, caramba! - exclamou ele, saltando da cadeira, tamanha a surpresa.
-Então, esse homem existe e tudo oque dizem sobre ele é verdade! Com certeza, aquela Leonora deu informações sobre minha filha á ele, para que a pegasse...
Ligou para a casa dos pais adotivos da menina e Russell atendeu:
-Fala, rapaz, oque houve? - idagou o cineasta.
-Marina foi raptada por obra de Leonora, com certeza! - informou o loiro - mas nada de dinheiro ou qualquer coisa assim como resgate, já vou logo dizendo. Olha só:
E o empresário explicou-lhe tudo, dizendo para conferirem na internet sobre o captor
que levara a menina para o castelo.
-Como é o nome do cara, por favor? - pediu Celine, que tomara o aparelho da mão do marido, parado ao seu lado.
-Lord Graham Evolution - respondeu-lhe Tuur - Marina está com ele no castelo. Acione os Enterprises, rápido! Eles irão atrás dela, está bem?
Despediram-se então e ele desligou o telefone, que tocou novamente.
-Quem é, por favor?
-Marina estará no parque da festa dentro de alguns dias, se tudo der certo - informou
agora uma voz masculina - ela está aqui comigo e está bem.
-Lord Evolution? - suspeitou Tuur - Leonora está por trás disso, com certeza!
-Trabalho sozinho, Sr. Tuur - disse a voz do outro lado da linha.
-Ela deu um empurrãozin ho, pode-se dizer - disse o empresário - conheço-a muito bem, sei doque ela é capaz de fazer e, com certeza, colocou-se por detrás de tudo!
Mas dessa mulher, cuidarei eu no momento certo. Quanto á menina, peço-lhe que não
a machuque, ficou bem claro? Ou a polícia terá de intervir.
-Correto, sr. Tuur - assentiu o moço - ela não será ferida, é só colaborar.
-Colaborar com oquê? - indagou o homem - oque teremos que fazer?
-Vocês nada! Ela irá embarcar no equipamento da festa, será uma experiência única!
-Se aquela maluca tiver mexido nele, ela não entrará, ouviu bem? Leonora quer
prejudicar minha filha, mas não permitirei, fui bem claro? Vou para o recinto pedir que o brinquedo seja rigorosamente inspecionado, caso contrário, muitas outras pesoas
também se machucarão e não quero mais acidente algum!
CAP. 5
No castelo do novo morador...
-Bom dia, Marina! - cumprimentou uma moça grandona e loira, porém, educada e carinhosa. Era a governanta do castelo e chamava-se Angel - dormiu bem?
-Dormi sim, obrigada, Angel - respondeu a menina - mas meus pais devem estar preocupados pra chuchu, por eu ter sumido da festa ontem.
-Devem ter sido já avisados, Lord Graham estava ao telefone esta manhã. Mas não se
preocupe, ele não é mau, não vai te machucar e nós poderemos nos divertir enquanto
você estiver aqui, oque acha?
-Mas... ele não vai achar ruim? Ainda mais por você estar em serviço, afinal, é a governanta! Sua responsabilidade é grande pra chuchu - preocupou-se a menina.
-Que nada! - respondeu a moça, sorrindo - eu cuido das coisas sim por aqui, mas te-
nho meu tempo livre também, para fazer oque eu quiser!
-Será qu eele não é mau? Me pegou ontem na festa a mando de uma mulher que quer até me matar e é bem capaz disso, só para me tirar do meu pai verdadeiro, por ciúme! E meus pais ficaram super preocupados, Angel! Se fosse uma boa pessoa, não teria feito isso, concorda?
-É, você tem razão, ele realmente errou, mas avisou a seus pais.
-Poderia ter se apresentado á eles e pedido permissão, pelo menos, né? Mas já fez,
vamos agora pedir a Deus que o perdoe e não deixe-o errar mais, certo? E eu também
o perôo, não sou de guardar rancor... é só ele não me machucar...
-Tem razão! - assentiu a moça - vamos levantar então? Olha o solzão lá fora!
-Não sei se poderei ir lá fora, Angel! - sussurrou a menina, séria.
-Podemos pedir á ele então -sugeriu a governanta - eu peço, enquanto você se arruma, está bem? Logo virei dar resposta.
-Obrigada! Você é legal pra chuchu! - elogiou Marina. A moça agradeceu o elogio e saiu, fechando a porta atrás de si. A menina levantou-se, arrumou a cama e trocou
de roupa, aproveitando para fazer suas necessidades.
-Que sorte, tem um rolão de papel aqui - disse ela, pegando-o para limpar o traseiro
após a evacuação.
Terminado tudo, puxou o shortinho e calçou a sapatilha branca. Saiu do banheiro e
do quarto, caminhando para o lance de escada, encontrando-se com Angel, que subia.
-E aí, oque ele disse? - indagou ela.
-Sem problemas, podemos ir ao quintal sim! - respondeu a moça, animada - mas depois de um bom café, hein? Vamos tomar juntas?
-Cruzes! -exclamou a menina - ainda não tomou seu café?
-Não - respondeu ela, sorrindo - esperei por você, para tomarmos juntas. Creio que
seremos muito amigas, nos daremos bem pra chuchu!
-Eu também - confessou a menina, enquanto as duas caminhavam de mãos dadas para a enorme e ampla cozinha, onde a menina foi apresentada aos outros funcionários que trabalhavam nesta dependência e, após o desjejum, aos outros da casa. E, para surpresa, todos, sem qualquer excessão, gostaram imensamente dela.
-Vou subir para lavar a boca e já venho - anunciou a menina - ele me pegou de repente, então nem deu pra trazer escova, cruzes!
-Tem uma novinha e embalada aqui, vou pegá-la para você - disse a moça. E pegou, dando-a na mão da menina, que agradeceu e entrou assobiando na imensa suíte.
Em menos de dez minutos, estava pronta e descia as escadas com a governanta,
quando encontraram o moço no meio do camnho.
-Bom dia, meninas! - cumprimentou ele, animado.
-Nossa, tá alegre pra chuchu, hein? - comentou a menina.
-Se estou, Marininha! - respondeu ele, acariciando-lhe o queixo levemente - quero bater um lero com você depois, certo?
-Hum.. está bem, Lord Graham! - assentiu ela. As duas se entreolharam e saíram caminhando porta afora, ganhando os raios do sol matutino no corpo e a leve brisa
no rosto, assoprando-lhes os cabelos. Viram então um deles:
-Olha só, não é um dos Evolutions do Lord? Você anda nele?
-Não, lindinha - reespondeu ela - sou muito grandona, as travas não me prendem
direito e eu poderia cair lá de cima! E você, andaria?
-Não sei... - respondeu - meus pais adotivos já andaram , mas eu não podia entrar.
-Ops! Pais adotivos? - indagou a governanta.
É uma longa história - apressou-se a acrescentar Marina - outra hora eu te conto, está bem?
-Tudo bem então - assentiu Angel. Caminharam pelo imenso jardim do castelo, conversando, quando ouviram alguém chamar-lhes:
-Quem será? - indagou a menina. Uma empregada surgindo á porta dos fundos respondeu sua pergunta.
-Lord Evolution as procura - avisou a melher, pouco mais velha que a governanta - pede-lhes que entrem e dirijam-se á biblioteca, por favor.
As duas então entram e dirigem-se até o cômodo, onde o moço as aguardava.
-Pediu pra nos chamar, Lord? - indagou Angel.
-Sim, claro - respondeu ele - feche a porta e sente-se, por favor, Marininha.
-É apenas com ela, Lord? - indagou a loira.
-Exatamente, Angel - respondeu ele - pode se retirar e não se preocupe. Não vou fazer mal algum á menina, apenas conversar.
-Está bem - asentiu ela - qualquer coisa, por favor, pode mandar me chamar. Vou dar uma limpada no Air Supply, com licença.
E, fechando a porta atrás de si, a governanta retirou-se, deixando a menina a sós
com Lord Graham Evolution.
-Oque quer falar comigo, Lord? - indagou ela, educadamente.
Ele tampou a caneta e deixou-a sobre o caderno onde rascunhava um livro. Cruzou os dedos sobre a mesa e olhou para a menina, sentada em sua frente.
-Marina, soube por Leonora, que você teme a máquina criada por meu pai...
é verdade?
-Você acredita noque aquela bruxa diz? Ela faz de tudo pra atormentar meus pais e a mim, e até é capaz de mentir. Porque pergunta isso? Conheci seu Air Supply...
-E gostou dele? Perguntei por saber que vôcê não embarcou no parque em que esteve, em São Paulo - comentou ele.
-Porque não tinha altura, não podia entrar. Lá, eles barram quem não tem altura para entrar em alguns brinquedos... medidas de segurança e eu acho certo.
-Tem razão, isso é verdade - disse ele, acrescentando - olha... amanhã, ou atlvez ainda hoje, iremos á festa e vamos embarcar nele. Creio que vá gostar...
-Não sei, Lord... - murmurou ela - fiquei com medo pela Leonora ter mexido nele para arriscar a minha vida e a de muitos que entrarem no brinquedo... não por ele em si.
-Posso compreender perfeitamente, Marina - assnetiu ele. Ela realmente comentou que estaria preparando algumas coisas, quando disse para pegar você e deixar o resto por conta dela.
-Eu sabia!!! - explodiu a menina - já suspeitava que aquela doida iria fazer algo assim!
-E você ainda tem coragem de me fazer embarcar em uma máquina sabotada por ela?
-Claro que não - respondeu ele - se ela realmente tiver mexido, não a deixarei entrar. Mas não creio que tenha sabotado, pois as pessoas iriam ver e impedir, certo?
-Duvido! Ela é capaz de fazer qualquer coisa até debaixo do nariz do Papa! Sem ver-
gonha, nem medo algum de ser pega e entregue ás autoridades. Ela desafia!! Olha...
eu é que não vou me arriscar, Lord! E por favor, não tente me forçar!
-E você, Marininha, não escapará, isso eu garanto - anunciou ele.
-Então, se for para eu embarcar, que seja no seu aqui mesmo, mas lá na festa...
-Depois poderemos embarcar no Air - disse o moço, sorrindo com lábios fechados. Nis-
so, o telefone sobre a mesa tocou:
-Quem é, por favor? - atendeu ele.
-Sou Tuur, Lord Graham - respondeu a voz do outro lado da linha - Bailarina, Ballyan
e meus outros Enterprises já foram acionados e estarão em alerta, prontos para en
trar em sua propriedade e pegar Marina a qualquer momento - avisou o empresário -
por "Lady Enterprise", eles fazem de tudo, fique avisado!
-Sr. Tuur - disse ele, brandamente - sou Lord Evolution e em minha propriedade, apenas os Luties entram e ficam. Espero que compreenda, por favor. Ah, Marina e eu
iremos á festa hoje, mais no fim da tarde para embarcarmos. Vocês vão estar lá?
-Se D. Leonora tiver sabotado o equipamento, ela sequer se aproximará, certo?
Despediram-se e o moço desligou o telefone, colocando-o no gancho. Voltou-se
para a menina á sua frente: - "Lady Enterprise"... desde quando isso?
Não sei dizer - apressou-se a responder - apelido que meu pai me deu... Porquê?
-Por nada, apenas curiosidade - respondeu ele, enquanto ela levantava-se.
-Ei, ei, ei, onde vais tu? - indagou ele, erguendo-se também, dando a volta pela mesa, aproximando-se dela e tomando-a nos braços - não tente escapar, Marininha.
-Quem estava escapando, Lord Luty? - indagou ela.
-Por enquanto, ainda não. Mas já estava se levantando... falei que não escaparia...
-Falou que eu não iria sair do castelo - lembrou a menina.
-É, realmente. Vou te perguntar uma coisa: nesse Enterprise da festa ontem você foi,
como pode ir nele, se não pode ir no Evo?
-É diferente, né? A força dele segura a gente e a altura pedida para entrar é bem
menor. E nem sente que vai cair... Quanto ao Evolution do parque de São Paulo, ouvia algumas pessoas dizerem na saída: "nossa, parece que vamos cair, o bumbum levanta
um pouco!" Vou acabar escorregando por baixo da trava! Hahaha Melhor esperar ma-
is alguns anos!
-Mais alguns anos presa aqui, Marininha? Olha, eu vou com você e te seguro, não vai cair, está bem? Nem é muito rápido!
-Porque ainda é FILHOTE!! Hahahahahahahaha!!!
-Ah, é? - zombou ele - seus Enterprises também são filhotes!
-Ah, mas não são mesmo! Quando o evolution foi criando então?
-Ah, em 1995, creio eu - respondeu ele - e o Enterprise, hein?
-O primeiro Enter foi criando em 1972!
-Quem te disse isso? Russell?
-É - respondeu ela - o avô dele é dono dessa Huss e passa tudo quanto é informação e notícia pro neto, que passa para minha mãe, Tuur e para mim.
-Uau, caramba! Então...
-Filhotinho, filhotinhooo!!! Hahahahaha!!!
-Essa batalha você ganhou, sua espertinha - brincou ele, ainda segurando-a - mas não cante vitória ainda, viu? Há mais uma batalhinha a caminho, esperando por ti!
-Primeiro, que essa batalha é uma máquina e não anda para estar a caminho. Segundo, não marquei encontro nenhum com ela para estar esperando por mim. Qualquer coisa, diga que tenho um compromissinho, ok? hahahahaha - zombou ela.
-É ruim, hein? - exclamou ele - essa é diferente, estrelinha!
-Topas um trato? Só vou se você for no Enterprise depois, fechado?
-Fechado pra chuchu - assentiu ele - vamos no Evolution primeiro e, depois, no Enterprise! Agora vou te soltar e você procura a Angel, pede á ela para te ajudar a
se arrumar, que está quase na hora, ok? "Eu no Enterprise... essa foi boa! Sou Lord
Evolution, não vou mesmo!"
-Eu ouvi, Lord! - anunciou a governanta, aproximando-se - se ela, que é a "lady Enterprise", terá que ir no seu, porqûe você não pode ir no dela? Você aceitou o trato, agora não vale mentir, nem fugir! Seria injusto, não acha?
-É, tem razão pra chuchu, Angy - assentiu ele com a cabeça, positivamente - por favor, poderia ajudar a Marina a se arrumar?
-Sim, claro - disse ela, virando as costas, já próxima á porta - com licença, sim?
Ela fechou a porta, saiu e subiu, dirigindo-se ao quarto da menina. Bateu levemente á
porta, chamando-a: -Marininhaaa, posso entrar?
-Pode sim - respondeu ela - já estou pronta, só falta o cabelo. Os dois elásticos estão aqui na penteadeira.
Ela estava de shortinho jeans escuro, blusa sem manga de brilhinho e meia e tênis
esportivos. Os longos cabelos claros estavam soltos sobre os ombros, quase chegando á cintura, levemente ondulados e os olhos claros davam um toque especial ao visual. Era encorpada, sem ser gorda, na verdade, mais parecia uma modelo de passarela. Ela sorria confiante diante do imenso espelho.
-Posso arrumar para você? - indagou a moça - oque quer fazer?
-Um rabão no alto da cabeça, preso bem firme e, dele, saindo uma trança bem firme também, para não soltar, por favor.
Ela então começou a fazer o penteado. Com o cabelo desembaraçado, ficara mais fácil e rápido. Em breve, já estava pronto, quando uma batida se fez ouvir á porta.
-Luty? - indagou ela - pode entrar.
-Eu mesmo! Está pronta, Mari? - chamou ele. Estava com uma calça jeans, camisa amarela-clara abotoada quase até a gola e tênis Nike preto, os curtos e claros penteados para trás. Estava lindo!
-Vamos então - disse ela - obrigada, Angel! Não quer ir?
-Só no domingo, que tenho folga e obrigada pelo convite - respondeu a moça - vai com
Lord Evolution hoje. Divirtam-se e cuidado, está bem?
-Mariii - chamou ele, sorrindo - vou pegá-la, hein?
-Lord, ela já está uma mocinha pra colo, não acha?
Os dois riram deliciosamente - deixa ele, Angel!
-Ora, valeu pela defesa, Mari! - disse, tomando-a nos braços - só seis não mata!
Lá se foram os dois, o chofer Julinho já havia tirado o carro e iria levá-los.
-Está com um brilho nos olhos - comentou ele - oque está pensando em fazer, hein?
-Nada - respondeu ela - os seus também estão brilhando, parecem uma estrela!
Marina possuiá uma voz mais adulta e quase rouca, apesar da idade. Sua voz não era fininha como de toda criança, aliás, nunca fora. E suas sobrancelhas, levemente arqueadas, dava-lhe a fisionomia de uma pessoa mais velha. Herdara muito a fisionomia do pai, Sr. Tuur. E a voz, de sua falecida mãe, Kristanna. Seu porte e modo de andar, sentar-se ou fazer qualquer outra coisa assemelhava-se a uma modelo em
passarela, transmitia segurança aos que não a conheciam bem. Parecia realmente fa-
zer jus ao título que o pai biológico lhe dera: "Lady Enterprise". Virou-se para o loiro:
-Lord, se lembra quando falou que eu não iria sair do castelo?
-E não vai sair, Marininha! - lembrou-se ele.
-Quanto tempo vou ficar aqui?
-Vai depender doque rolar hoje - respondeu ele - mas acho que, mesmo se for na
máquina, vai ficar mais um tempo comigo aqui na minha casa.
-Estou de férias agora - disse ela - mas quando voltarem as aulas, como vou á escola?
-Poderei levá-la e buscá-la.
-Não tem outras coisas a fazer, já que é um lorde?
-Posso adiar para outra hora, lindinha!
-Isso tá parecendo coisa combinada com aquela bruxa louca! Ela quase me matou
uma vez, no ano passado!
-Oquêêê? - indagou ele, verdadeiramente assustado - oque ela te fez?
E ela contou-lhe tudo com incrível naturalidade e calma. O moço ficou até pasmo!
-Ela só te entregou a mim aquele dia.
-Te fez me pegar aquele dia á noite, te deu dicas pra sair disfarçado...
-Na verdade, já sabia algumas coisas sobre você através da internet, li biografias e
outras informações que postam pela rede. Pra ser sincero, trabalho sozinho. E hoje,
estamos indo ao parque da festa para embarcarmos no equipamento criado por meu pai. O destino nos pega de surpresa, não?
-Nem fale! E que ela já deve ter sabotado pra quebrar ou rolar alguma coisa ruim qualquer! - completou a menina, com desdém.
-Ela faria mesmo com outras pessoas por perto?
-Pior! Ela é bem capaz de aprontar das suas debaixo do nariz do Papa! Fez muita coisa pior, Evolution! Um exemplo disso foi oque fez com o Enterprise lá do parque mesmo e me colocou a bordo pra me queimar. Pergunte aos meus pais, se duvida!
-Então agora, seu medo é esse e não o brinquedo em si - suspeitou o moço. Ela con-
firmou. Antes de entrarem no carro, ainda nos braços dele, ela o abraçou fortemente e fechou os olhos por alguns segundos, encostando a cabeça em seu ombro e, com uma das mãos, acariciando-lhe o cabelo atrás.
-Ah, Mariinha... faz isso sempre, é?
-Com quem eu começo a gostar, sim - respondeu ela - desde bem pequena e, ás vezes, sem motivo algum. Não existe mitivo para se dar carinho á alguém, certo?
-Sem motivo certo...?
-É - murmurou ela - e você entendeu quando comentei sobre o medo daquela doida ter mexido na sua máquina... fazer oquê, né?
-É, tem razão pra chuchu! - assentiu ele, colocando-a de volta ao chão - vamos entrar no carro para irmos?
Os dois entraram e fecharam o cinto do banco traseiro. O motorista deu partida e
rumou para o recinto de festas da cidade.
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