sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
"CHAMAS DE RAKVERE" - Capítulos
CAP. 1
-"Vamos agora para as últimas notícias" - anunciou o âncora do telejornal noturno -
"um terrível acidente ocorreu agora em um parque de diversões de Rakvere, na Estô-
nia, deixando 31 pessoas feridas. É com você, Marina."
-"Obrigada, Jonas" - agradeceu a repórter corespondente - "o equipamento Enterprise
incendiou-se durante a operação, o fogo atingiu altas proporções e 31 pessoas
tiveram queimaduras de primeiro, segundo e até terceiro graus, sendo levadas ao hospital local para serem atendidas e logo liberadas. As autoridades locais suspeitam de falhas na revisão, pois entre outros equipamentos, ele fora revisado na Suiça, e não na Alemanha, onde fora fabricado pela Huss. E preferem, portanto, abafar o caso."
-"Obrigado, Marina" - agradeceu o repórter - "fiquem agora com as previsões do tem
po para amanhã. Em breve, voltaremos com mais notícias sobre o ocorrido."
Todos estavam na sala no momento da notícia. Logo, Russell e Celine subiram para
fazerem uma pesquisa mais elaborada na net. Ele nascera na Alemanha e viera
com os pais para o Brasil ainda bebê e sua família era vizinha e amiga da família da moça, portanto, convivência entre ambos tornou-se muito mais forte com o passar
dos anos. Ele era neto do dono da Huss, segunda maior fábrica de equipamentos
para parques de diversões no mundo e entendia dessas coisas, apesar de cursar o
último ano da faculdade de Cinema junto á namorada. Namoravam desde os 18 anos.
-Minha nossa! - exclamou Claudiney, correndo para cima - Russell, Russell!!
-Oque houve, Clau? - indagou o moço.
-Me lembrei de uma coisa...essa Huss... - começou ele - não fabrica essas máquinas
há muito tempo? Quis dizer...Enterprises??
-Isso mesmo, é a primeira responsável pela criação e fabricação de Enterprises há
mais de 30 anos. Após o fechamento da Schwarzkopf, devido á morte de seu dono, ela assumiu o direito da patente deles.
-Jesus... mas ela cria outros equipamentos também, certo? -indagou o amigo.
-Correto - respondeu o loiro - o Ekatomb, do parque Hopi Hari, por exemplo, é criado e fabricado pela Huss. Top Spins também são a sua maior especialidade atualmente.
-Aqueles compridos, que ficam girando... - riu o moço.
-Aqueles mesmo - esclareceu Russell - lembra do Space Loop, do qual o garoto caiu lá no Playcenter?
-Mas aquele exatamente não é da Huss, ou é? - indagou agora Angelina.
-Não - respondeu ele - é da FabbriGroup, uma fábrica italiana, também muito boa no
ramo, não sei exatamente há quanto tempo. Depois tem outra fábrica italiana de
equipamentos de parques, principalmente Enterprises. É a Heintz Fahtze.
-Cruzes, que nominho, hein?? - zombou David - nunca ouvi falar nessa.
-Não é realmente muito conhecida como a Schwarzkopf e a Huss - esclareceu Russell.
-Mas... - suspirou Sarah - voltando áquele assunto do acidente...as investigações ainda são preliminares...
-Com certeza, ainda mais que resolveram abafar o caso - enfatizou Carlos loiro, alto, porte atlético e de olhos azuis, professor de Física na USP - sem contar que o cara não sabia oque dizer. Nesas horas, eles sempre dizem que a culpa não é deles, que são inocentes e coisa e tal...é sempre assim, só pra não serem pegos...
-Pois para mim, esse Tuur está escondendo alguma coisa - desconfiou Celine.
-Mas fala sério, né? - chegou Lúcio, um estudante japonês que cursa Administração -que deve dar um trabalhão lidar com essas máquinas, isso dá, né??
-Tem razão, Lúcio - ponderou Russell - eu mesmo nunca lidei diretamente com
esses equipamentos, apenas estou a par das coisas por intermédio de meu avô
e seus sócios lá na fábrica, que me enviam notícias e afins por correio e e-mail.
CAP. 2
Quatro meses depois do ocorrido, os sete jovens resolvem criar coragem e viajar até a cidade, a fim de investigarem as reais causas do acidente. Ficariam por um determinado tempo sem irem ás aulas, sendo assim, Russell cogitou levar seu
notebook para os amigos acompanharem as matérias durante o tempo livre no hotel.
Celine, ao conversar com os professores, conseguira apoio e incentivo, pois os acontecimentos dariam um bom roteiro para o cinema. Um deles até pedira a ela ou
Russell que fotografasse ou filmasse, se possível.
-Não será possível filmar, professora - desculpou-se ele - pois o acidente ocorreu há
quaro meses! Mas talvez possa fotografar. Não viu as notícias?
-Vi sim - respondeu a profesora - mas são sempre incompletas...
-Sim, mas devem haver alguns videos passeando pela net - consolou ele. Ainda em tempo de aula, o casal principal está a meio caminho andado com o TCC, realizado em duplas. Dos outros que acompanharão Russell e Celine nessa empreitada estão Angelina, Sarah. Claudiney, David e Carlos. Após decidirem sobre a viagem, despediram-se por e-mail de seus familiares, sem especificarem oque realmente iriam fazer no outro país, dizendo apenas que iriam esfriar a cabeça um pouco. Tudo já organizado para certificarem se não haviam esquecido nada imoportante que poderiam precisar em um país desconhecido, seguiram para o aeroporto, a fim de aguardarem o jato e finalmente embarcar.
Mas uma coisa é certa: estes sete jovens estavam a caminho do desconhecido. E tal
vez, do perigo e da escuridão, mas não faziam idéia. Já a bordo, os jovens se espalharam, sentando-se em lugares diferentes. Russell e Celine sentaram-se juntos no meio da aeronave. Ele então olhou para ela e viu que algo a atormentava por dentro. Lágrimas silenciosas escorriam-lhe pela face clara.
-Amor, oque houve? - indagou ele, pegando levemente em sua mão.
-Nada - respondeu ela - estou bem.
-Você ficou tão calada de repente...
-Lembrei-me do Ballyan - sussurrou ela, sorrindo tristemente.
-Quem é este?
-É igual a este do acidente, mas um pouco maior.
E era verdade oque ela dizia. Ballyan era um belíssimo Enterprise skylab, suas gôndolas eram cinza-metálico bem clarinho, quase branco sob a luz do sol. Sua estrutura era branca com o braço de sustentação azul como o céu. Possuía um motor silencioso e luzes coloridas que alegravam qualquer parque á noite. Lindo e inpo
nente, Ballyan mais parecia um escultura, um monumento quando se erguia, parecia
um modelo de revista que colocava até mesmo Gisele Bündchen e demais modelos no chinelo. Ficara em casa sob o cuidado de seus pais. E Celine foi contando a Russell sobre ele, toda a história desde quando ganhara o magnífico Enterprise. E o moço, pasmo, pois nunca a ouvira comentar sobre o assunto. No final, a consolava, acari-
ciando seus curtos fios do cabelo e ela aconchegara-se no peito dele, adormecendo.
CAP. 3
-"Sua atenção, por favor" - dizia o comandante, sua voz ecoando pelo alto-falante da aeronave - "mantenham os cintos apertados, pois chegamos a Estônia e vamos aterrisar."
Todos os passageiros obedeceram e o jato aterrisou normalmente na pista. Todos então dessmbarcaram e esperaram por suas bagagens, que seriam verificadas por questões de segurança e logo devolvidas aos seus donos. O grupo então logo tomou de volta as suas bagagens e embarcaram em uma van que o levou ao único hotel da cidade. Por sorte, tudo já fora reservado com antecedência pelo casal.
-Então, foi assim que aconteceu... - comentou o motorista da van, no trajeto para o hotel, sem entrar em maiores detalhes.
-Foi há quatro meses! - replicou Celine.
-É, mas as pessoas ainda comentam muito, como se fosse ontem - argumentou o
condutor.
-E onde ele está? - indagou Claudiney - será que ainda está no parque?
-Não sei se ainda se encontra no parque ou se já foi removido. Após o acidente, eu
só retornei lá em julho. Meu serviço não me deixa dispor de tempo para outras coisas.
-Mas ninguém saberia dizer se... - Russell ia terminar a pergunta, mas o homem interveio:
-Olha, não sei oque vieram fazer, mas poderão correr riscos. Chegamos, é aqui.
Celine agradeceu então ao condutor, pagando pela corrida, o grupo pegou suas
bagagens e desembarcou, entrando no hotel.
-Já está tudo acertado - disse o gerente, sorrindo - é bom passear um pouco, não?
Arejar a mente, respirar outros ares...
-Bom...é sim - respondeu Angelina, enquanto Russell apanhava a chave da suite e os
horários de funcionamento das dependências do lugar.
Era um hotel cinco estrelas. Claro, amplo, bem arejado e decorado, já recebera até
a Família Real britânica e a brasileira em outros tempos. Havia em seu hall um chafa-
riz ao centro com uma escultura de anjo barroco e, no canto, um imenso relógio de
carrilhão, cuja caixa que o ladeava, ricamente decorada, era puro ébano e seu pên-
dulo dourado, com sua haste ricamente trabalhada, oscilava em velocidade constan
te.
-Minha nossa! - exclamou David, olhando o relógio - são quase quatro horas!
-Este relógio está certo afinal, moço? - indagou Angelina - o meu é sempre atrasado.
O grupo então resolveu conhecer o hotel. Havia um amplo restaurante, um piano-bar
e, pelo corredor á direita, o salão de jogos e uma lan house, e um lance de escadas mais á frente da lan levava à área das piscinas, saunas e da academia.
-Perfeito! - exclamou Russell - talvez ainda dê tempo para um bom mergulho...
-Ruuussyyy - chamou Celine, num tom musical - não se esqueça que temos ainda que
acompanhar as aulas, viu? Ainda tem o TCC para terminar.
-Já está pronto, amor. Só falta a bibliografia e depois, passar para o CD - disse
ele, acalmando-a - aliás, nem o trouxe. Trouxe somente o notebook para acompa
nharmos as aulas...
Já de volta á suite...
-Bom, já está tudo arrumado, né? - chegou Sarah, colocando sua mala no canto do quarto.
-Graças a Deus - respondeu Angelina - mas vamos deixar nossas coisas na mala
mesmo, né? Se precisarmos sair numa emergência, já está tudo mais fácil...
-Tem razão, Angie! - concordou Claudiney.
Assim, todos deixaram seus pertences dentro das malas, no canto do quarto e des
ceram para o jantar. Celine, como era de já se esperar, não dispensou uma boa
salada de chuchu bem fresquinha.
Em seguida, voltaram ao quarto para fazerem a higiene bucal, desceram para caminhar um pouco, as meninas compraram uns livros para se distraírem na cama e voltaram ao hotel, todos com uma caixinha de água de coco geladinha em mãos.
Subiram para o quarto, trocaram de roupa e mergulharam sob as cobertas. Celine
estava tranquila após as injeçõe que tomara ainda no Brasil para eliminar a menstruação por três anos. Oque as outras duas fizeram também, sentindo-se
aliviadas. Leram um pouco e logo dormiram. Os sete teriam dias cheios pela frente.
CAP. 4
Assim que os primeiros raios de sol iluminaram com força o dormitório, o grupo acor
dou, lembrando-se do primeiro dia das investigações. Os homens foram os primeiros
ocuparem o banheiro enquanto as meninas fizeram um pouco de hora na cama, con
versando sobre assuntos diversos e rindo. Logo levantaram e começaram a se vestir.
Assim que eles saíram do banheiro...
-Pessoal, por favor - chamou Celine, reunindo os amigos - olha... por medidas de nossa própria segurança, vamos manter o assunto sobre as investigações apenas em
segredo entre nós, certo? E mais, cada vez que tivermos que nos referir ao mesmo,
procuraremos abaixar muito bem a voz, pois nunca se sabe quem poderá estar nos
ouvindo e se aproveitar para aprontar contra nós. Todos de acordo?
-Ok, concordamos, Nyne - respondeu Angelina, seguida pelos outros.
-Obrigada pela atenção - disse ela - agora, que estamos prontos e de desjejum feito,
só vou pegar algumas coisinhas. Esperem um pouco, por favor, pois podemos precisar.
E ela então tirou de sua mala uma pequena mochila esportiva escolar, onde colocou,
junto com seus amigos, objetos importantes, como carteira, celular com câmera e fil
madora, escovas de dente e blusas finas de frio. Ao saírem, ela trancou a porta e colocou a chave no pequeno compartimento externo da bolsa, onde, para disfarçar,
colocou também um boné velho. Desceram e passaram direto pela portaria, mas por sorte, os hóspedes poderiam escolher entre deixar a chave na portaria ou levá-la consigo ao saírem. O grupo preferiu levá-la, pois não sabia a que horas voltaria
e nem oque poderia acontecer no caminho. Por mais sorte ainda, o parque era
próximo ao hotel, oque evitaria perguntas que poderiam levantar suspeitas dos
moradores da pequena cidade, que ainda comentavam sobre o ocorrido, mesmo que as autoridades locais preferissem abafar o caso.
-Algumas pessoas podem talvez nos ajudar - cochichou Angelina para Celine.
-Quem sabe? - objetou David - muitas foram vítimas do acidente, outras foram testemunhas, outras ainda tiveram parentes e amigos que foram vítimas.
-Pudera! - exclamou Sarah - só a proporção do incêndio já impressionam qualquer um, né?? Cruz-credo!!
-Mas alguns por aí podem acabar nos denunciando para as autridades, já que elas
preferiram abafar o caso e até proibido de comentar sobre o ocorrido. É melhor não
arriscar, nunca saberemos se estamos falando com a pessoa certa ou não - sugeriu
Russell, pensando na segurança própria e do grupo.
Chegaram ao parque e deram de frente com o estado deplorável da máquina acidentada. Algumas gôndolas estavam praticamente destruídas, a grade corrediça se encontrava
totalmente torta, fora do trilho no teto, mais parecia ter levado inúmeras marretadas, outras queimadas, algumas ainda quase partidas ao meio, outras apenas queimadas, mas conservavam-se inteiras por milagre, oque provocou em Celine uma sensação ruim, uma mistura de choque e tristeza de partir-lhe o coração. Uma vontade de largar o grupo e sair correndo apoderou-se dela, mas foi segura por Russell, que lembrou-lhe oque vieram fazer ali.
-Oque houve, Cê? - indagou Sarah, a única negra no grupo.
-N-nada, pessoal, me desculpem - sussurrou ela.
-Tudo bem, amor - aconchegou-a Russell - foi oque você sentiu ao ver o equipamento
neste estado ruim. Lembrou-se do seu, não é?
-Ah, sim. Mas por favor, Russy, não comente com mais ninguém por enquanto, ok?
-Está bem, pode ficar tranquila, que não contarei - prometeu o namorado. Em seguida,
perguntou se alguém iria embarcar em algum, oque todos negaram.
-É ruim, hein? - disseram todos os outros em coro.
-Podem estar bons agora, que estão parados, né? - exclamou Angelina.
-É mesmo, nunca se sabe oque pode acontecer ao funcionarem - completou Claudiney - sem contar que não foram vistoriados em seus país de origem...
-Tem razão, Clau - concordou Celine - pode haver alguma falha de revisão ou
até mesmo alguma sabotagem...
-Vem cá, Ru - chamou David - são todos do mesmo fabricante?
-Nem todos, eu acho.
-Galera, oque está me assustando agora são essas pessoas embarcando nas outras
máquinas - sussurrou Sarah.
-Mesmo com tantas pessoas ainda comentando sobre o acidente com o Enterprise,
apesar das autoridades locais preferirem abafar o caso... - rebateu David.
-Como vamos conduzir as investigações, hein?? - indagou Angelina - será que não levantaremos suspeitas se perguntarmos alguma coisa?
-É mesmo - respondeu Claudiney - ninguém vai responder-nos bulhufas, devido as
autoridades locais proibirem os comentários...
-Não proibiram os comentários - rebateu Russell - tanto que muitas pessoas ainda
comentam. Só abafaram o caso, já que não conseguiram descobrir o verdadeiro
motivo do acontecimento.
-Bom...poderíamos conversar informalmente com as pessoas, como quem não quer nada - sugeriu Sarah.
-Mas há dois empecilhos aí - lembrou Celine - primeiro: não sabemos se há algum
mal intencionado por perto, prontinho para nos ouvir ás escondidas e nos entregar para as autoridades. Segundo: muitas dessas pessoas não sabem do real motivo do acidente, apenas foram testemunhas ou vítimas. Portanto não nos ajudariam muito.
Estou certa ou sendo pessimista demais?
-Não, Cê - responderam os outros seis.
-Tem toda razão, não pensamos isso antes - ponderou David.
-Mas também,... com tanta coisa na cabeça... quem cogitaria que viríamos para cá qualquer dia?? - completou Carlos, falando pela primeira vez - foi muito em cima da
hora que resolvemos vir, pessoal. Soubemos do acidente na época, pela mídia apenas.
Estavam todos sentados nos degraus da plataforma do Enterprise, quando Angelina
vira um líquido ali perto, escorrendo do braço de sustentação do equipamento.
Nem viram que o operador estivera ali e o erguera não se sabe para quê, e saíra rapidamente.Quando chegaram ao parque, ele estava em posição de embarque, ou
seja, na horizontal. Agora, encontrava-se erguido na vertical.
-Oque exatamente é isto? - indagou a moça.
-Este líquido? - ponderou Celine - não sei. Não seria o fluído hidráulico, Russy?
-Talvez sim - respondeu ele, apontando o braço sustentador da máquina - e parece vir dali.
-Veja se está quente, por favor - pediu Celine. Ele passou o dedo indicador no líquido, enquanto ela entrara na cabine, a fim de verificar o medidor de temperatura e o compressor de ar. Entendia bem, pois além do namorado tê-la ensinado, ela possuía
um, sendo assim, precisava ter uma noção básica, mas ela possuía noção mais além do básico apara compreender o funcionamento do aparelho.
-Esse cara é negligente ou oquê, hein?? - indagou ela para os outros.
-Jesus amado!! Vamos dar o fora antes que viremos churrasco! - chamou Carlos - vamos logo, galera!!
Foi o tempo do rapaz dizer isso e o operador chega, encurralando-a na cabine - oque está fazendo aqui? - indagou ele. Seu porte era atlético, forte e portanto, parecia bem ameaçador quando o queria ser.
-N-nada - respondeu ela, recuando - reze para ele estar desligado, moço.
-Reze para sobreviver ao embarque, "lady Enterprise" - sussurrou ele, ameaçador, en
quanto ela tentava ganhar tempo. Pensou em aproveitar uma distração dele, quando
virou-se para o painel de comando, mas ele parecia ter lido seu pensamento, pois
virara-se rapidamente de volta para ela, barrando-lhe a passagem. Foi só o tempo
de ela deixar a mochila com Russell e este passar para outro amigo do grupo, pois precisava estar livre para salvar sua amada, caso aconteça alguma coisa, e pedira aos outros para se dispersarem e se esconderem pelo parque. O sujeito então
trancou-se com ela no interior da cabine de comando e ordenou-lhe para que
se abaixasse, a fim de não permitir ser vista.
-Chhhhhhhhh não grite, hein?
-Se eu gritar,oque acontece?
-Grite, e saberá no momento certo.
-Ah... a propósito, tem um líquido vazando do braço dele. E está muito quente, olhe
o medidor...
-Tem razão. Como soube?
-Eu tinha um deste - mentiu, ao dizer "tinha", pois na verdade, TEM um exemplar daquele, que ficara com seus pais.
-Então, entende um pouco...?
-Sim, um pouco. Não o tenho mais, levaram-no e não tive mais notícias dele...
-É uma pena, não? Bom, eu vou dar uma saída rápida, mas voltarei. E você ficará aqui
na cabine - anunciou o operador do equipamento, logo apontando para o mesmo - ele
vai "tomar conta" de você, tem um dispositivo próprio, especial para me obedecer e
foi programado para fazer oque eu disser, "lady Enterprise".
-CELINE, por favor - corrigiu ela, desafiadora.
-Seu nome? - quis ele saber - está bem, Celine. Sou Tuur.
-Aliás, Tivoli Tuur, não é? A mídia inteira falou de você na época do acidente.
-Cruzes! As notícias voam hoje em dia, hein?? - admirou-se ele - ah, e NÃO tente pu
lar a janela ou quebrar os vidros, viu, lindinha? - ameaçou ele - ou o meu Enter me
avisará, esta função também consta na programação dele, além de funcionar normal-
mente com as pessoas a bordo!
-Como? - quis saber ela - nesse estado ainda, girando? Buzinando? Olha, seria melhor
ele nem se mover, estou falando sério pra chuchu, Sr. Tuur.
-Não o subestime, Celine - sussurrou o homem - não sabe doque ele é capaz. Agora,
se me der licença, preciso ir - concluiu ele, saindo e trancando a na cabine e, ao descer as escadas, aproveitou para ordenar ao Enterprise que a "vigiasse". Russell teve vontade de rir e chamá-lo de louco, mas calou-se ao ouvir o equipamento "res-
ponder" com um ronco do motor e um giro breve, sem que nada o afetasse, apesar do deploráves estado em que se encontrava e o fluído, agora mais doque nunca, vazan
do sem parar de seu braço de sustentação com maior intensidade. Celine ergueu-se
e virou para a janela, a fim de evitar olhar para ele, erguido imponentemente ali.
Russell, no entanto, não arredou o pé dali,a fim de não deixar a amada sozinha
sob a constante "vigilância" do temido Enterprise. Ela não tinha medo, afinal, andava neles e ainda possuía um desde os seis anos de idade. Oque a atordoava era o estado em que aquele do parque se encontrava - quase destruído, oque partira seu
coração - e ainda forçado a se erguer e girar, como se nada houvesse acontecido.
Jamais permitiria que Ballyan fosse sequer ligado, se ele se encontrase em estado semelhante. Silenciosamente, fechou os olhos e chorou, lágrimas inundaram seus rosto clarinho como o sol. Russell ameaçou arrombrar então a porta e abraçar a ama-
da, quando o gira-gira deu sinal, o som rouco do motor chamando a atenção do ope
rador, que voltara correndo e empurrando o rapaz, que quase caíra, mas um senhor
de meia idade que passara por ali o segurara, e o jovem agradecera-lhe. O velho saiu.
Celine assumira o comando então: virara-se para o painel e tentara abaixá-lo e desli
gá-lo, mas sem sucesso, pois o homem o travara. Tuur então entrou na cabine e nova-
mente fechou-se com ela lá dentro.
-Você é louco!! Eu jamais faria isso com o Ballyan, queira Deus que ele esteja inteiro e bem. Aliás, até quando eu vou ficar aqui, hein?
-Até o momento certo, talvez esta noite. Vá se preparando, Celininha, ele já está prontinho para recebê-la a bordo!
-NÃÃÃÃÃOOOOO!!! - gritou ela, com todas as forças que conseguira - RUUUSSEEELL!!!
-Siiiiiiiiiim, bonequinha - respondeu ele, sorrindo ameaçadoramente e segurando-a
firme - vi a van que transportou vocês até o hotel, é do meu irmão e ele me informou
imediatamente sobre uma possível investigação que fariam sobre este caso, para sa
berem o real motivo do acidente, já que nós parqueiros e as autoridades locais pre
ferimos abafar o caso.
-Me solta, Sr. Tuur!! - gritou ela - RUUUUUSSEEEEELL, SOCOOOOORROOOOO!!!
-Ei, ei, ei, avisei para não gritar! Verás oque a espera...
-Mas porquê? - indagou ela - para manter os visitantes, fazendo-os correrem riscos?
-E por qual outro motivo seria, lindinha? Hein??
-O acidente foi notícia na mídia inteira!
- Sim, Celine - voltou-se ele - mas somente vocês tomaram coragem e vieram atrás
do real motivo do ocorrido. E nem autoridades vocês são e sim, apenas um grupo de jovens comuns. Aaah, bonequinha...se tu soubesses oque a espera...
-O seu Enterprise quase despencando?? É RUIM, HEIN?? Não vou entrar aí nem em sonho!! RUUUUUUUUUSSEEEEEEEELL, SOCOORROOOOO!!
-Chhhhhhhhhh avisei para não gritar, Celiiiineeeeeeee - disse ele, mais severo - não
tem escolha: ou você entra ou seus amigos alí e seu amado Russell serão prisioneiros do meu terrível top spin ali, que está muito pior que o Enterprise, prestes a incendiar e se partir ao meio. Qual você escolhe, hein?
-NENHUMA das opções! - desafiou ela, tentando se desvencilhar do aperto do homem - fi
que LONGE deles e de mim também!! - gritou ainda mais e olhou pela janela. Para
seu espanto, apenas o braço de sustentação do Enterprise se encontrara ali, mas
o próprio... cadê??
-Ué, pra onde ele foi? - indagou ela.
-Ele, quem? - indagou o operador, surpreso.
-O Enterprise, ué! Acho que ele fugiu de você - riu ela e o homem finalmente a soltou.
-Caraaaaamba!! essa não!! - exclamou ele. Destrancou a porta da cabine e saiu
correndo. Ela então proveitou para dar a mão ao seu amado e sair rápido dali. Corre-
ram de mãos dadas e esconderam-se atrás do mural de um top spin ali parado.
Permitiram-se respirar aliviados por um breve momento, depois precisaram prender
novamente a respiração ao sentirem uma brisa e um leve cheiro de queimado pairando no ar, logo atrás deles.
-Não olhe agora, amor - sussurrou Russell, de maõs fortemente dadas com a moça,
enquanto ouviram outras pessoas gritarem. Como o Enterprise havia se soltado, ninguém sabia ao certo. Provavelmente, o incêndio atingira os parafusos que o prendiam ao braço de sustentação. Fora colocado novamente no lugar, o operador agradecera aos mecânicos pelo serviço e eles sairam para retornarem a seus afazeres pelo parque. Nem se dera conta da ausência de Celine ali na cabine no momento e, quando finalmente a percebera, já era tarde. Próximo a outro equipamento, David e Claudney - cada um com um minúsculo e discreto gravador dentro do bolso de suas blusas - conversavam informalmente com algumas pessoas que circulavam pelo local.
Angelina fora comer alguma coisa na lanchonete e Sarah entrara no banheiro. Carlos
conversava animadamente sobre música com o operador do top spin que mais parecia uma fantasia carnavalesca, de tanta cor junta, pura poluição visual. Despedira-se sem
dizer o nome e, disfarçadamente, juntou-se aos outros.
-Temos que voltar ao hotel agora! - disse ele, em tom de urgência e todos concorda-
ram. Celine estava ávida por sair dali. Em sua mente martelava o alerta do operador do Enterprise: ela não teria escolha. Embarcaria nele ou seus amigos correriam perigo também. Nesse momento, uma música de voz forte e vibrante fez-se ouvir pelos auto-falantes do parque, as pequenas luzes coloridas no alto acenderam-se, algumas piscando, como se ameaçassem queimar, as lâmpadas dos equipamentos também. Havia agora gente embarcando e o grupo sentiu um arrepio na espinha por aqueles que embar
cavam no momento, sem terem idéia doque poderia lhes acontecer. Era noite e assim,
a sensação de perigo aumentava ainda mais, e essa música agora tocando era um con-
vite a uma sensação como esta.
-Ouvi essa música em algum lugar e não gosto muito - sussurrou Angelina, sentindo
um arrepio no corpo agora - tenho um certo filhote de trauma de músicas assim, desta
principalmente...
-Porquê? - indagou Carlos, abraçando-a, como se para proteger a amiga.
-Me faz lembrar de uma experiência nada boa que vivenciei certa vez, ainda quando
pequena...
-Em um parque também? - indagou Russell. A música era aquela famosa do grupo
Air Supply; "Making Love". Oque provocava um certo arrepio em Angelina era o mo
mento em que o cantor elevava a voz. Até Celine sentiu o arrepio agora, mas ela
gostava muito dessa música.
-Como foi a experiência, Angie? - indagou Sarah - se importa de nos contar?
-Não, conto numa boa, apesar do arrepiiiiiiiiio kkkkkkkkkk eu apenas vi acontecer,
não foi comigo na verdade...
E assim, ela contou da experiência da qual fora testemunha, um acontecimento quase igual a este acidente a que foram investigar.
-Não me lembro mais qual fora o brinquedo, mas era um desses altos. Uma criança esta
va com sua mãe e urrava de medo quando passavam pelo parque de uma festinha de interior, até que essa mãe, sem a menor paciência no final, acabou enfiando na marra
a criança no ride, junto com uma mulher que embarcara ali. Ela chorava, queria a todo
custo sair dali, mas não havia mais jeito, pois a máquina buzinara e começara a fun
cionar, girando rapidamente até subir...
-Parecia estar sem controle então, né? - indagou Claudiney, abraçado a Sarah.
-Sim, parecia, aliás, muito pior! Pois algumas lâmpadas dele estouraram e ele come-
çou a dar uns estalos, fazer um barulho diferente...e as pesoas gritando, agora de
pavor, pois o cara parecia não conseguir fazê-lo parar. Aquela criança urrando e
gritando por socorro, pra sair dali...
-Ele incendiou também? - quis saber David.
-Muito além disso - respondeu a moça - alguns carrinhos chegaram a desprender-se
do disco e voar por toda parte, muita gente ali saiu gritando, duas pesoas chegaram
a ficar presas sob um que caíra, pois esses carrinhos dele parecem ser pesados...
-Jeeeeeesus!!! - exclamou Celine, aconchegando-se mais em Russell, que abraçou-a
ainda mais forte.
-E estava tocando música no momento, Angie? - indagou Sarah.
-Sim, exatamente esta que está tocando agora. Graças a Deus eu não estava
a bordo, nem quis entrar em nenhum, Deus me livre!!
-Nenhum?? Os outros também estavam ruins? - indagou Carlos.
-Xiiiiiiiiiiiii e como, viu?? - voltou-se ela. O grupo na calçada então, virara-se para o parque agora e tiveram uma visão horripilante, da qual jamais esqueceriam: o mesmo que acontecera com o Enterprise estava agora acontecendo com o top spin, exata
mente como o Sr. Tuur dizia a Celine que aconteceria, quando ela ainda se encontrava na cabine com ele. Crianças de uns dez anos, jovens e até alguns adultos gritavam de pavor agora e o operador não conseguia fazê-lo parar. Ele estava ameaçando se partir ao meio, quando faíscas começaram a sair do motor sob a plataforma de embarque, e dançando sobre os passageiros a bordo.
-Socorrooooooooo!!! - gritou um adolescente - tira a gente daquiiiiii!!!!
-Paaaaaaaraaaaaaaaaa essa coisaaaaaaaaaa!!! - gritou uma moça.
-Por favor, meu filho está aí dentro - gritou uma mãe desesperada - para isso, pelo
amor de Deeeeeeeeeeus!!!
-Não consigo fazê-lo parar - disse o operador, assustado - ele parece estar fora de
controle!
Russell iria correr para chamar alguns técnicos ou mecânicos que encontrase, mas Ce
line o agarrara com força, dizendo-lhe para não ir. Os outros também não arredaram
portanto o pé dali, a não ser para correr de volta para o hotel. Nisso, o operador do
Enterprise, ao notar a ausência da moça, pôs-se a seguir o grupo, visando pegá-la.
Ela então sentiu Russell pegar firme em sua mão e gritou um "ai", mas ele, descul
pando-se pelo aperto, disse-lhe que não iria soltá-la e ordenou aos outros que também corressem, voltando para o hotel, quando um "vuuush" se fez ouvir: o
Space Loop começara a incendiar, assim como aconteceu com o outro, quatro meses atrás. Algumas travas abriram-se, pois o fogo tirava-lhes a força para prender as
pessoas a bordo e algumas caíram do alto, enquanto ele girava. As chamas então
aumentaram de inensidade e ele começou a romper-se ao meio, assim como o navio Titanic, minutos antes de naufragar. Uma montanha-russa em funcionamento também apresentara problmas, pois o carro parara justamente no alto do looping, suas travas também não aguentaram segurar seus passageiros e abriram-se também quando, minutos depois, descarrilou. Apenas os equipamentos infantis encontravam-se conservados e fora de perigo. Enquanto isso, o grupo corria cada vez mais e finalmente entrou no hotel, subindo rapidinho, despistando o Sr. Tuur. Bom, pelo menos era oque achava, pois o cara encontrava-se próximo ao hotel agora, pronto para entrar e agir no momento certo.
CAP. 5
Mas tiveram que voltar ao parque, pois uma das moças esquecera sua jaqueta na escada do Enterprise, ao sair correndo no desespero. E chegaram, nem notando a presença do Sr. Tuur rondeando por ali. Sentaram-se em umas cadeiras da lanchonete próxima á saída e ficaram conversando. A tal música tocou novamente, provocando arrepios em Sarah. Esta contara uma cena que presenciara em um parque na infância, mas Angelina também se lembrou de outra cena ainda mais terrível que também presenciara em um parque de festa de interior.
-Como foi, Angie? - indagou David, abraçado á Sarah, que se aconchegou em seu peito -se importa de nos contar?
-Não, na boa - respondeu ela - também foi nesses parquinhos vagabundos de festi
nha de interior, sabe essas cidadezinhas pequenas, bem fundo de serra mesmo? Ameaça-
ram vidas, disseram palavrões pesados até mesmo para crianças. Dois parqueiros inescrupulosos chegaram a colocar á força uma criança de oito anos em um daquele Twister quase caindo aos pedaços, só porque a mãe indagara-lhe se o brinquedo estava funcionando bem. Foi horrível! Ainda mais porque os brinnquedos começaram a despen-
car de vez, incendiar, as cadeiras cairem...Jesus!!
-Tipo aqueles bem mal iluminados, com lampadinhas de "varal" acesas em fim de noite? Ainda mais essas musiquinhas... - completou Claudney.
-Aaaaaaaaaaif, para com isso, por favor, Clau! - pediu Sarah - dá arrepio, pô!
Celine, envolvida ainda mais forte nos braços de Russell, também arrepiou-se
inteira, por lembrar-se também de umas cenas que presenciara num desses lugares.
-Soube pela net que nos anos 70, um Enter feriu algumas pessoas no Texas... - lembrou Celine - é verdade?
-Sim, é - respondeu Russell - eu não era nascido ainda, mas anos depois, meu avô
confirmou a notícia, era um Huss. Falta de manutenção adequada, com certeza...
-Deus do céu! - exclamou Angelina, se benzendo - como foi?
-Segundo a notícia, algumas gôndolas se desprenderam da estrutura enquanto ele
girava, e voaram longe.
-Que horror! - exclamou Sarah - por isso é que não ando em nada nesses parquinhos comuns. O fabricante pode ser dos melhores, mas o problema é o pessoal que cuida deles NO PARQUE. Nunca se sabe se estão em boas condições de funcionamento e a
manutenção é adequada ou não.
-Por isso é que devemos checar muito bem as condições dessas máquinas antes de embarcarmos - objetou David.
-Mas eles podem achar ruim, pensar que estamos interferindo no serviço deles. Viu o
Sr. Tuur, como reagiu? A prova certeira disso! - lembrou Celine - apenas porque disse
á ele que não deveria ligar o Enterprise naquele estado em que se encontrava.
-A Cê tem razão pra chuchu - interveio Sarah - e depois, lembram daquela cena que
a Angie contou agora há pouco, da criança ser colocada á força no brinquedo pelos carinhas do parque?
-E quem esquece uma cena dessa? - objetou Russell - gente, vamos parar com esse
assunto, que todo mundo já está arrepiado demais por hoje, né? Vamos voltar ao
hotel, mas olhem primeiro se ninguém esqueceu mais nada por aí. Sá, pegou sua
blusa?
-Sim, está aqui, obrigada.
E a turma voltou ao hotel, sem saber que estava sendo seguida, quando Russell pegou firme na mãode Celine, que disse um "ai" e ele se desculpou.
-Ele stá nos seguindo, amor! Vamos mais rápido!
CAP. 6
Os jovens chegaram, pois ao hotel e tomaram o elevador para subirem ao quarto. Entraram e trancaram imediatamente a porta e não se atreveram a fazer barulho. -
-Uuuuuuufaaaaaaaa!!! - suspiraram todos ao mesmo tempo, mas Angelina avisou para não fazerem barulho, pois o homem poderia estar por ali. E dito isso, ouviram passos no corredor.
-E agora, Ru? - cochichou Celine.
Ouviram agora batidas violentas na porta. Era mesmo o operador do Enterprise, mas
um segurança do hotel lhe chamou atenção com firmeza, dizendo que iria chamar o reforço, caso ele não parasse e deixase o hotel. Ele então, se desculpou e saiu, assobiando um rock clássico. O segurança respirou aliviado e dirigiu-se ao banheiro.
-Até o assobio arrepia - sussurrou Angelina - como naqueles filmes de perigo, em que
parece que o sol jamais vai voltar...
-Aaif, pára com isso, Angie! - exclamou Sarah.
Então, ele voltou, bateu na porta e gritou:
-Serviço de quaaaaaaarto!!
O grupo manteve-se em absoluto silêncio e não cogitou em abrir a porta. Vai que poderia ser ele??
-"Será que esse cara pensa que somos a máquina dele?" - pensou Sarah, assustada com as violentas batidas na porta.
-Serviço de quartooooooo - grita ele novamente - acho que terei de abrir essa porta
de um jeito mais trágico, não??
Então ouviram algo mexendo-se na fechadura e a porta se abriu, os amigos deram de frente com o Sr. Tuur, de avental e touca branca. O grupo recuou para um canto, enquanto ele avançava lentamente em sua direção, de braços esticados para alcançar Celine, mas Russell a abraçava ainda mais forte.
-Russell, Russell... - chegou ele, aproximando-se - nada doque fizer, irá protegê-la.
Ela não tem escolha, terei que levá-la para o Enterprise, ela pertence a ele - anun-
ciou o homem, ameaçador - vamos, solte-a.
-Não, Russy - gritou ela, agarrando-o ainda mais - se pertenço a um Enterprise, é
somente ao MEU, Ballyan!
-Não vou soltá-la, Tuur! - desafiou ele, reforçando ainda mais seu abraço protetor.
-Solte seu amado Russell e venha comigo ou todos sofrerão as consequências - amea
çou ele.
-NUNCA, JAMAIS!! - gritou Celine, envolvida nos braços do amado - Russy, não deixa, por favor!
-Jamais vou deixar, Cê - prometeu o moço - e você, cara, deixe-nos em PAZ!! Não te fizemos nada!
-Jovenzinho rebelde és tu, hein, Russell? Já vi que terei que tomar uma atitude radical -sussurrou ele - não queria, maaaaaaassssssss...
-Se atreveria em um hotel cheio, cara? - indagou Carlos, á esquerda de Russell, quan
do repentinamente, acaba a energia e a cidade toda fica ás escuras. Celine e Russell
aproveitam para se beijarem e a solta por alguns poucos minutos, enquanto ela
mantém-se firmemente agarrada á ele. Mas quando ele vai abraçá-la novamente, suas
mãos suadas escorregam e acabam por soltá-la de vez. E ela acaba nas mãos do opera-
dor do Enterprise, que a leva aos gritos.
-RUUUUUUUSSEEEEEEELL, PESSOAAAAAAAL, SOCOOOOOOORROOOOOO!!!!
CAP. 7
-Gente, na mochila tem uma lanterna - disse Russell, procurando-a - aqui, achei!
-Então vamos logo atrás da Cê! - gritou Angelina - depressa, o tempo voa!
Foi só falar em tempo, o relógio do hall do hotel bateu dez sonoras badaladas enquan-
to o grupo seguia em direção á saída e alcançando a rua, correndo para o parque. A energia volta quando eles chegam, e dão de cara com a amiga a bordo de uma das gôndolas, ainda inteira, mas de aspecto assustadoramente perigoso, com as mãos fortemente atadas ás grades laterais. Nesse momento, o local estava vazio e apenas o grupo encontrava-se lá. E deu de frente também com o Sr. Tuur, barrando-lhe a passagem, quando tentavam entrar para salvar Celine, Russell á frente.
-Por favor, solta ela, cara! - pediu Russell - Celine não te fez nada, só avisou para
não ligar a máquina nesse estado, pois podia ser pior.
-É...ela entende bem de lidar com eles, disse-me que tinha um - respondeu o homem
-mas acontece que a autoridade aqui sou eu. E esse Enter me obedece, garotão!
-RUUUUUUUUSSEEEEEELL!!! Por favor, me tira daqui!! - gritou ela.
-Sua amada fará agora uma viagem pelos ares, meu meninão aqui a leverá, não é?
O equipamento "respondeu" com um ronco do motor. e o Sr. Tuur então o ligou.
Dava tempo agora, que ele entrou na cabine de comando, mas justamente quando
alcançavam o primeiro degrau da plataforma, o Enterprise começou a girar.
-Nãããããããõooooo, seu louco, inconsequente!! - gritou Russell - quer matá-la, é??
-Não é a minha intenção, Russell - respondeu o operador - vamos subir, lindinhos?
Uns estalos assustadores agora se fizeram ouvir e alguns carrinhos começaram a se romper ainda mais, um vazio desprendeu-se do disco e voou longe, atingindo um trecho do percurso de uma pequena montanha-russa próxima, agora parada. Repentinamente, como naquele outro dia, outra chama irrompe-se do centro do disco e aumenta de intensidade.
-RUUUUUSSEEEEELL - grita ela, já chorando - por favor, faz ele parar!!
-Celine, não!! - gritou ele - vai acabar inalando fumaça e pode ser pior. Por favor, não grite, nem fale, aguente firme, está bem? Vamos dar um jeito de tirar você daí!
-Olha só, galera - chamou Carlos, reunindo a turma mais longe da cabine para o Sr.
Tuur não ouvir, e cochichou - tenho um plano, tomara que funcione. É o seguinte:
nós vamos tentar distrair a atenção dele e você, Russy, entra na cabine e faz a sua parte, certo?
-Correto pra chuchu, Carlão! - responderam todos em uníssono.
-Deus, nos ajude nesse momento crucial - orou Angelina.
-Aguente, meu amor, vamos tirá-la daí, está bem? - prometeu o loiro. Mas foi só
falar e o Enter aumentou a velocidade e agora parecia descontrolado, uma fera indomável, e não havia como pará-lo. O operador então saiu correndo dali, gritando:
-Não conseguirão pará-lo, filhotes!! Ele não obedecerá vocês e não deixará liberta-
rem a sua amiga!!! E eu?? Eu voltarei quando menos esperam!!!
-Vai agora, Russell - incentivavam os outros - sua vez agora!
-Meu Cristo, o fogo está aumentando e se alastrando!! - gritou Sarah.
Ele então entra na cabine e tenta assumir o controle, mas faíscas surgem da fiação sob o painel de comando.
-Rápido, Russell!! - gritou Claudiney - o carrinho dela está começando a se partir!
Poderá feri-la seriamente!!
-Estou tentando - disse ele - mas acho que o Enter se descontrolou!!
Eis que uma voz metálica se faz ouvir.
-"Celine é minha e vocês jamais a terão de volta! Estou descontrolado mesmo e não
conseguirão me fazer parar..."
-De onde veio isso? - indagou Sarah, espantada, até que o operador volta.
-Ele tem uma programação especial e até fala, vocês ouviram?
-O-ouvimos - respondeu David - nunca vi brinquedo falar!!
-"Não sou um equipamento comum".
-SOCOOOOOOOORROOOOOOOO!!! - gritou a moça, com todas as forças que pôde - RUUUUUUUUS-
SYYYYYY, ME TIRA DAQUIIIIIIIIII!!
-"Relaxe, Celine" - voltou-se a máquina.
-Aaaaaaah, cruzes!!! - exclamou ela, aos gritos - quem disse isso???
-"Eeeuuu" - respondeu ele.
-Eu quem? - indagou ela.
-"Você está a bordo, minha amiga".
-Aaaaaaah, cruuuuuuzeeeeeeeees!!! Nunca vi Enterprise falar!!! Preciso de umas férias, acho que ando estudando demais...
-"Relaxe, não irá se machucar".
-Como não?? Nesse estado péssimo, quase desmoronando e ainda incendiando!! E o
fogo aumentando... como não vou me torrar aqui? - indagou ela, tapando com a mão a boca e o nariz, a fim de não inalar e nem engolir fuamaça.
-"Minha velocidade não permitirá, Celine".
-Ai, Jesus!! - exclamou ela - conversando com um Enterprise...
-"Conversa com seu Ballyan também. E ele é como eu. Qual é o problema?"
-Bom, ele não fala... - respondeu ela - só posso estar sonhando. Jesus!
Nisso, dois carros de bombeiro chegam com as sirenes ligadas e eles tentam conter
o fogo, que estava muito intenso, mas o Enter desce lentamente, diminuindo a veloci- dade e logo parando. Russell, então, pega um canivete que encontrara ali e logo a liberta das cordas que a prendiam. Mas quando ele vai tomá-la nos braços, o opera
dor chega de surpresa e ordena:
-SOBE, Enter! AGORA!!
-"Não" - responde ele, com sua voz metálica, efeito de sua programação - "já feri demais e não sou de ferir as pessoas".
-Seu cachorrinho, foi programado para ME obedecer! - zangou-se o Sr. Tuur.
-"JÁ CHEGA!! Russell, pegue a Celine aqui."
Nisso, o operador entra na cabine e o liga novamente, mas ele não se move.
-Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!! - rosnou ele - oque fizeram com meu filhotinho?? Oque fizeram com meu Enterprise? DIGAM??
-Nós? - indagou Carlos - nada, oras! Oque iríamos fazer com ele?
-Olha só agora - rosnou o cara - ele virou protetor da sua amiga, os dois parecem ter
puxado uma boa conversinha lá nos ares, não?
-E ela é protetora deles também - desafiou Russell, agora já com a amada desacor
dada nos braços, quando a ambulância enfim chega e o paramédico que a examina,
alerta que ela tem uma queimadura leve nas mãos e em algumas partes do corpo, mais uns cortes onde as cordas a prendiam.
-Ela tem que ir para o hospital, moço. E você poderá acompanhá-la. Vamos?
Ele então entrou no carro e colocou Celine na maca, sentando-se ao aseu lado. Um
médico responsabilizara-se por ela e colocara o oxigênio sobre seu rosto. Russell ia
soltá-la, mas ele lhe disse:
-Pode continuar segurando-a na mão, ela precisa de você, meu jovem.
Era um senhor de meia idade, beirando cinquenta anos e muito calmo para tratar as pessoas. Seu nome era Daniel, possuía cabelo e barba branca e usava óculos desde criança. Tinha miopia.
-Sua amiga vai ficar bem, te garanto, pois creio em Deus, que tudo pode.
-Obrigado, Dr. Daniel - agradeceu ele - me chamo Russell.
-É um bom rapaz, Russell - assentiu ele - pessoas com esse nome geralmente são boas... Meu filho também se chama Russell, mas já é casado e tem filhos. E você?
-Tenho 28 anos e Celine aqui é minha noiva. Namoramos desde os 18 anos.
-E vocês estudam, trabalham...?
-Sim, estamos no último ano da facul de Cinema, mas trabalhamos em outra área. Ela trabalha on line para editoras de livros e revistas. Moramos no Brasil.
-Oh, então são brasileiros? - indagou o velho e bom doutor.
-Sim, apesar de eu ter nascido na Alemanha. Mas fui para o Brasil ainda bebê.
-E ela? E os seus amigos lá do parque?
-Todos brasileiros - respondeu o moço.
Chegaram ao hospital e o Dr. Daniel tirara a maca com Celine e a levara para dentro,
Russell acompanhando-os.
-Posso entrar? - indagou ele.
-Só não pode entrar em sala de cirurgia, aqui pode. Só farei os tratamentos necessá
rios e os curativos nos cortes - respondeu o médico, sorrindo - sua amada ficará bem.
-Conhece aquele cara, o Sr. Tuur? - indagou o jovem.
-Sim, conheço - não fiquem muito perto dele. Ele foi o responsável pelo acidente
há cinco meses atrás. Não é flor que se cheire.
-E causou mais um agora - sussurrou Russell.
-Eu soube, só pelo estado da sua amada aqui. E os dois começaram a comentar sobre
oque o operador do Enterprise fizera com Celine, desde que chegaram e tudo oque
acontecera até agora, até mesmo do equipamento, que falava.
-Esse Enterprise é programado, faz muita coisa além de girar, Russell. Mas não costu
ma ferir as pessoas, pelo contrário...
-Como assim, Daniel?
-Lembra-se de que ele desceu e disse á você para pegá-la e tirá-la dali. É o único
ride protetor. Quando houve aquele acidente, as pessoas só não se feriram gravemente e o fogo não as atingiu, porque ele estava em alta velocidade. E mais, não deixa as pesoas voarem para fora de suas gôndolas. Com crianças então, mais ainda!! Aí é que ele segura mesmo.
-Mas nos parques, costuma-se restringir estatura, idade...não deixam crianças entrarem. E muitas mães e demais acompanhantes de crianças dizem que elas vão cair lá de cima, que já caiu gente de lá...
-Não sabem oque dizem, Russell - muitas vezes, são pessoas sem conhecimento e sem instrução. Ou nunca embarcaram para saber oque acontece...
-Celine tem um desse desde os seis anos, é a maior paixão dela. E eu sou neto
do dono da Huss, a segunda maior fábrica de equipamentos de parques de diversões.
-Uaauuu!! - exclamou o médico - ajude-a a cuida muito bem dele, para que não aconte
ça oque aconteceu com esse aí do cara. Pois quando gostamos de alguém ou de alguma coisa nossa, procuramos cuidar bem e conservar, não é?
-Com certeza - respondeu o jovem, sorrindo - Quando ele começou a falar lá no par
que, com ela a bordo, os dois começaram a conversar e ele dissera que ela não iria se ferir, que ele não iria deixar que isso acontecesse...
-Mesmo tendo passado por tudo isso, acho que ela vai sentir falta dele, né? - indagou
o velho doutor - pelo jeito, o dela não fala, não tem essa programação...
-Todos a têm, Russell - disse o velho. E disse-lhe como fazê-la funcionar corretamen-
te. No final do segundo dia no hospital, Celine foi liberada. Ela e Russell pegaram carona com o velho médico de volta ao hotel. Chegando lá, ambos foram recepcionados com festa surpresa pelos cinco amigos no salão. Estava com as pernas e os pulsos enfaixados. Após a festa, subiram para o quarto e arrumaram seus pertences nas malas e as deixaram prontas em um canto, entre a cama perto da parede e o banheiro. Prefe-
riram portanto descansar hoje e retornar ao Brasil no dia seguinte.
CAP. 8
Chegara o dia seguinte, em que o grupo voltaria para o Brasil, mas outro incidente
atrasou a viagem. O Sr. Tuur, disfarçado e acompanhado de dois capangas, entraram
no hotel, dizendo que iriam visitar uma amiga. Subiram e ele bateu á porta, desta vez, de leve.
-Será que atendo? - indagou Sarah - vai que é o cara do parque?
-Se fosse ele, já teria é arrombado a porta - deduziu Carlos.
-Eu não arriscaria - disse Celine - não quero dar de cara com o Sr. Tuur novamente.
Ele é capaz de qualquer coisa, vocês viram, né?
Enquanto isso, no corredor do hotel, o danado recebe em mãos, pelo segurança, a
chave da suite do grupo. Detalhe: o segurança, na verdade, é também um parqueiro
infiltrado ali, a fim de passar informações dos jovens ao operador do Enterprise.
Mas como?? O gerente e os responsáveis pelo hotel têm em mãos cópias das chaves.
não só dos dormitórios, como também das demais dependências, para o caso de alguma eventualidade ou emergência. E, ao saber da suite do grupo, já reservada, mandara fazer imediatamente outra cópia, antes mesmo de os jovens desembarcarem em Rakvere. Mas, por precaução e também para não levantar suspeitas, as cópias permaneciam no hotel. E por medida de precaução, Russell também colocara seu notebook no fundo de sua mala, com as roupas e outros pertences sobre ele. Mas ninguém tinha intenção de roubar nada ali. Nisso, a porta se abriu e o parqueiro, junto aos seus ajudantes - os três fardados de policiais - abordaram o grupo e disse-lhes:
-Poderiam nos acompanhar, por favor?
-É sobre o caso do acidente? - quis saber David.
-É sim - respondeu o homem - e houve, há dois dias atrás, uma segunda vítima e
precisamos que façam o boletim de ocorrência.
-Certo, nós iremos - assentiu Carlos.
-Não serão necesários documentos. Vocês só irão responder a umas perguntas que o detetive Frank fará. Vamos...
Celine, apreensiva e desconfiada, pegou na mão de Russell e ambos também seguiram o trio. O homem, após todos saírem do quarto, trancou a porta. E assim, os dez tomaram o elevador e desceram, quando o relógio do hall bateu nove horas. Ele deixara a chave com o gerente no balcão de recepção.
-Olá, Clark! - cumprimentou o condutor. Era aquele seu irmão da van, mas haviam com
binado de chamarem-se por nomes diferentes apenas para não levantar suspeitas pelo grupo. Desta vez, era a van da viatura policial que ele estava conduzindo.
-Bom dia, policial Harry - cumprimentou ele de volta, resondendo ao irmão.
-Um sequestro!!! - gritou uma senhora que passava por ali com a filha moça - chamem
a políííííiciaaaaaaaaaa!!!!!!!
-Mãe - chamou a filha - são policiais, não está vendo?
-Filha, oque tem de BANDIDO infiltrado na polícia hoje em dia... não se sabe mais em quem confiar...
-Vamos entrando - disse o homem e todos entraram. Russell e Celine sentaram-se lado a lado de mãos dadas e beijaram-se. Pegaram uma longa estrada até passarem por uma mansão e chegar a um velho casebre abandonado, logo em seguida.
-Pode parar aqui, por favor - pediu ele e o irmão ali parou - é onde eles vão ficar.
-Harry - chamou o capanga - não é melhor separar esse casalzinho aí?
-Celine e Russell? - respondeu ele - genial, vou fazer isso e vocês dois poderão
me ajudar.
-Russy, como ele sabe nosso nome? - indagou Celine.
-Deve ter ouvido falar, amor - respondeu o namorado, abraçando-a - afinal, nos pediram para acompanhá-los.
-RUSSELL, TÁ PRECISANDO USAR ÓCULOS, CARA?? - zombou Carlos - Celine está certa. Isto NÃO é uma delegacia!!
-Jesuuuuuuuuuuuuus!!! - explodiu Angelina - como pudemos ser tão burros?? Que droga!!
-Vamos saindo! E rapidinho, hein??
Ele então, junto aos dois ajudantes Patrick e Luciano, leva o grupo para dentro.
Havia ali uma lâmpada fraca, que servia apenas para iluminar a pequena sala. Toda casa era escura, mesmo á luz do dia, pois as janelas são pequenas e vivem fechadas. E as portas também. E, como eram de madeira velha, guardavam muitas rachaduras por toda parte, como uma casa mal assombrada. Também encontravam-se ali dois pequenos quartos, um com dois grandes colchões no chão e o outro com dois velhos pufes e uma mesinha com um velho rádio e um pequeno televisor com imagens em preto e branco, de tão antigo. Um banheiro pequeno e uma cozinha minúscula também haviam ali, com um velho freezer horizontal, um pequeno fogão de duas bocas e uma pequena pia, com um armarinho embaixo. E também, uma pequena dispensa, onde outras coisas eram guardadas.
E imensas teias de aranha espalhavam-se por toda parte, do teto ao chão. Do lado de fora, no grande terreno baldio, onde o casebre situava-se, vários Enterprises "vigia-
vam" o local. Eles também possuíam em seu mecanismo uma programação especial que os permitia falar e fazerem oque lhes fosse ordenado, e pertenciam também ao operador Tuur.
-Luciano - chamou ele - por favor, leve um desses colchões para o quarto dos pufes.
Vou colocar as moças em um quarto e os rapazes em outro. E acorrentá-los para não
fugirem, é claro!
-NÃO!! - gritou Celine - RUSSY, NÃO DEIXA!!
-Não vou deixar, amorzinho, ninguém vai nos separar, está bem?
-É RUIM, HEIN?? - respondeu o homem. Agarrou Celine, fazendo-a soltar o amado, e levou-a consigo para a dispensa, encarando-a de frente.
-Sr. Tuur?? É você? - assustou-se ela, presa pelas fortes mãos do homem.
-Tenho mais deles aqui, se você gritar... acho que está querendo mais uns rodopios,
não?? Que tal? - sugeriu ele,
-Não!! Me solta, não sou um dos seus Enters!! RUUUUUUSSEEEEEEELL!!!
-Ops, avisei para não gritar, Celininha - sussurrou ele, ameaçador. Levou-a então
para fora, onde mostrou-lhe os outros que rodopiavam á vontade por ali.
-Minha nossa, é Enterprise pra chuchu! - exclamou ela - pra que tanto?
-Eles vigiam melhor que cães ou outros animais, lindinha! São programados
também, como aquele do parque.
-Vai dizer que eles falam também??
-Sim, também - respondeu o homem sorrindo - vamos para dentro, venha.
E, dizendo isso, levou-a de volta para o interior da casinha, onde deixou-a agora aos cuidados de um dos capangas, que a acorrentou junto ás outras duas moças.
Os rapazes encontravam-se agora presos da mesma forma no quarto dos pufes. Todos tentando se libertar das correntes, mas sem sucesso, as mãos presas para trás do corpo e as pernas unidas.
-Não seria melhor amordaçá-los? - indagou Patrick.
-Não precisa. Eles podem gritar á vontade, que ninguém vai ouvi-los. Arranjei de propósito essa casinha muito bem afastada da cidade,não há nada mais por aqui -
respondeu o homem. Ainda estava de farda e boné,mas alguns fios do seu cabelo
loiríssimo caíam para fora, levemente ondulado e curto. Seus olhos azuis eram profundos e podiam hipnotizar qualquer pessoa, oque o tornava ameaçador.
-Onde vai ficar agora, Tivy? - indagou Luciano.
-Por aqui mesmo - respondeu o outro. Fora fazer um xixizinho rápido e dirigiu-se
ao quarto das meninas. Aproximou-se bem de Celine, puxando-a para si, apesar de estar ela ligada ás outras pelas correntes.
-Olá, Celininha? - chegou ele, com voz branda. Segurou seu queixo para cima com uma mão, fazendo-a olhar para ele e, com a outra, encostou um dedo em seus lábios, levando uma mordida.
-AAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!
-Ahááá!! Quem gritou agora, hein?? - desafiou ela, rindo, com olhar maroto - "Avisei pra não gritar..." e agora olha só quem avisa... SOLTE-NOS AGORA!!
-Tsk, tsk, tsk - fez ele - não vou soltá-las. E quanto á você, lindinha... se eu te soltar, você correrá para o seu amado Russell, tô certo?
-Nem digo nada, filhote! - respondeu ela.
-Viu?? só por dizer isso, já confessou. Não vou soltá-la, você é MINHA agora! E dos
meus Enterprises, eles te querem...
-Mas os daqui parecem estar muito bem, Sr. Tuur. Quanto aquele do parque...
-Você que pensa, bonequinha! Mas não tenho intenção de matá-la, nem aos seus amigos. Agora, quanto aos meus Enters... já não sei oque farão... Falando nos meus Enters, vou vê-los agora lá fora. Com licença...
Saiu do quarto e dirigiu-se ao quintal, começando a chamá-los.
-Belatrix, vem aqui.
Uma belíssima skylab amarela atendeu-o e voou girando para o lado dele, que chamou os outros.
-T-X, Branquinha, Bailarina, Stela, Lancelot, Serena, Danger, Poseidon...
Lá dentro, no quarto das moças...
-Credo! Quantos Enterprises ele deve ter, hein? - indagou Angelina - e chama a todos pelo nome, como se fossem cachorrinhos!
-E eu tenho uma yorkshire chamada T-X - voltou-se Celine - ficou com meus pais.
-E sua mãe já a levou lá na república, ela é uma belezinha! - disse Sarah - eu tinha
uma cocker chamada Serena...
-Que aliás é o nome de uma das minhas professoras lá da facul... - ponderou Angelina.
As outras riram muito. Ficaram conversando e rindo até que uma imensa caranguejeira apareceu por ali e começou a subir no colchão, fazendo-as gritar. Essa aranha era venenosa e pode picá-las e até matá-las se não cuidar á tempo.
-SOCOOOOOOOOORROOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!! - gritaram as três juntas, encolhendo-se no canto e esbarrando em uma imensa teia. Por sorte, esta estava sem aranhas.
-Oque será que está havendo? - indagou o homem, entrando na casa pela porta
dos fundos. Foi para o quarto.
-Quem gritou aqui? - indagou ele.
-Por favor, moço, tira essa aranha daqui! - pediu Angelina - ela é venenosa e, se
picar a gente, pode até matar!
Ele pegou um pau grande e tirou a aranhona do colchão, colocando-a lá fora, no
meio do mato, e voltou.
-Ela não vai mais fazer-lhes mal - voltou-se ele.
-Ufa, obrigada, moço - disse Sarah. E ele voltou para o quintal, para junto dos seus Enterprises, até que um, ao encontrar uma brecha, entrou na casa e ficou rodopiando por lá á vontade. E o operador não fizera nada para colocá-lo para fora, apenas dei-
xou-o perambolando por ali. Era a T-X, uma skylab vermelha, fabricada pela Huss há muito tempo, mas era mais nova. Entrou no quarto das moças.
-AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!! - gritaram elas. Celine então gritou ainda mais. E o Sr. Tuur entrou ali.
-Aaaaaah - zombou ele - olha só quem está fazendo companhia á vocês...
Celine fechou os olhos, mas sentiu algo roçar seu cabelo e pousar próximo á ela.
Gritou ainda mais, mas o Enter continuou ali.
-"Olá, meninas!" - respondeu ela, a T-X - "olá, Celine!"
-RUUUUUUUUUUSSEEEEEEEELL!!! SOCOOOOOOOOOORROOOOOOOO!!!!!!!!
-Ele está preso no outro quarto, lindinha! - disse o homem - T-X, quer dar um giro com a nossa amiga Celine?
-"Com prazer, Tuur" - respondeu ela - "solte-a para ela embrarcar aqui."
O operador dos Enters a soltou. Ela tentou fugir, mas ele a segurou firmemente.
-"É aqui, Celine" - alertou a Enter - "pode vir..."
Ela desvencilhou-se do Sr. Tuur e correu o mais depressa que pôde e tentou entrar no
quarto onde os rapazes estavam, chamando por seu amado - Russell, Russell!!
T-X encontrava-se agora atrás dela, e de seu centro saiu um braço mecânico prateado
que segurou-a fortemente, impedindo de tentar fugir de novo.
-Q-quê?? - indagou ela, virando lentamente o rosto e olhando oque a segurava - me solta, me solta!! - gritoava ela, tentando agora desvencilhar-se do "abraço" firme do Enterprise atrás de si. Colocou-a a bordo de uma de suas gôndolas e fechou-a, começando agora a girar.
-Aaah, essa não! - exclamou ela - de novo não, pelo amor de Cristo Jesus!!!
-Siiiiiiiiiim - anunciou o operador, vendo-a a bordo - boa iniciativa, T-X! Pare de girar de vez em quando, mas apenas NÃO a deixe sair.
-"A grade está muito bem fechada, ela não sairá". - disse a Enter, voltando-se agora
para Celine - "vamos ver seu Russell..." E girou em direção á janela do quarto onde ele se encontrava, acorrentado aos outros rapazes, do mesmo jeito que Celine estava com as outras duas moças. Ela gritou por ele ao passar pelo quarto, ele olhou e tentou nervosamente se libertar das correntes e salvá-la, mas também não conseguira.
Apenas disse-lhe então:
-Segura, meu amor!! Segura nas grades! Fecha os olhos e imagine-se a bordo do seu Ballyan, está bem?
-"Quem é Ballyan?" - indagou T-X.
-É o meu Enterprise, ele é parecido com você, só que um pouco maior - respondeu
Celine, agora mais relaxada. O Enter, no qual se encontrava a bordo, estava funcio-
nando bem e não apresentava problemas.
-"Vamos sair daqui e girar lá fora, a céu aberto, Cê" - convidou a Enter, saindo do
interior da pequena casa - "prefiro o ar livre, mais espaço".
-É, você está funcionando bem - disse a moça - porque os meus amigos não podem vir também?
-"Boa idéia, Nyne!" - respondeu a Enter - "Sr. Tuur, solta os outros para embarcarem aqui!!"
-Oquêê?? - estranhou o operador - nada disso, T-X!! Meus planos são outros e você,
dá um susto nela. Lembra do Snoopy lá no parque? De como ele estava?
-"Não estou apresentando problemas, Sr. Tuur. Não preciso fazer oque me pede.
Agora SOLTE os outros!"
-NÃO!! E venha já para baixo! - ordenou ele, já zangado, puxando-o pela estrutura - AGORA!!
O Enterprise T-X desceu e o operador abriu a grade, tirando Celine á força e levando-
a de volta para o quarto junto das outras - Luciano, venha aqui, por favor!
-Tô no banheiro, cara! - respondeu o capanga.
-E cadê o Patrick?
-Sei lá, acho que está fumando lá fora...
-Então eu mesmo vou ter de fazer isso... - disse ele, pegandoa corrente e prendendo
-a novamente, como ela estava antes.
-T-X!! - gritou ela - vem aqui!!
-A T-X não poderá vir agora, vocês já rodaram muito, não é? Ela precisa descansar agora - ponderou o operador - fica quietinha agora, ok?
A noite chega e o Sr. Tuur enfim dirige-se á sua mansão ali perto do casebre. Os
capangas o acompanham. Patrick acaba seu fumo e, sem perceber e querer, joga o toco de cigarro ali no meio do mato, próximo á entrada. E segue acompanhando os outros dois até a mansão. De repente, no meio da noite, começa a esquentar. O fogo começa a espalhar-se em volta da casinha e aumenta de intensidade. Nisso, os Enterprises arrombam as janelas, portas e até as paredes e, de seu centro, fazem surgir raios, que acertam as correntes e libertam os jovens.
CAP. 9
Embarcaram em um deles, tendo os outros por escolta para levá-los até o hotel, mas
o operador acordou e, pela janela do quarto, olhou oque estava havendo na pequena
casinha. Vestiu uma camiseta e um short e correu para fora, os cachos do curto cabe
lo voando ao vento, e conseguiu segurar a estrutura de um dos seus Enterprises, jus-
tamente o qual mantinha o grupo a bordo
- VOLTEM AQUIIIIIIII!!! VOCÊS JAMAIS SAIRÃO, NEM ESCAPARÃO DE MIM!!!
-Seu louco, a casinha tá pegando fogo, não viu?? - gritou Russell, abraçado á amada,
os dois em um dos carrinhos da Bailarina agora, assim como os outros cinco.
-Claro que vi - respondeu ele, lá de baixo - culpa do Patrick, que fuma feito uma chaminé e jogou o toco do cigarro perto da casinha! Vou falar com ele depois. Mas quanto á vocês... Meus Enters os salvaram, não?? Pelo que vi...
-É, eles nos salvaram, assim que o fogo começou - respondeu Celine.
Mas um deles era fiel ao seu operador e chamava-se Enterprise mesmo. Era imen
so e ameaçador, além de muito rápido. Por isso, era o mais perigoso e temido da
região e dos parques em que ia. E ninguém se atrevia a nem mesmo se aproximar.
Ele, sob a ordem do Sr. Tuur, conseguiu fazer Bailarina desequilibrar-se, perder a
velocidade e assim, suas gradinhas abriram, fazendo os jovens caírem.
-Essa nãããooo!!!! - gritou Celine.
-"Segurem-se na grade dos carrinhos!" - alertou ela - "não vou deixar vocês caírem".
-É oque veremos - ameaçou o operador - Enterprise, pegue-os!!
-"Por qual começo" - indagou ele.
-Que tal pela Celine? - sugeriu o homem, aponando-a - é aquela ali.
E o temível Enterprise voou imediatamente para junto de Bailarina e conseguiu pegar
Celine, enfiando-a em um de seus carros e fechando bem a grade.
-"Vamos girar um pouco, Celine!" - sugeriu ele, rodopiando muito rápido e executando manobras malucas no ar, fazendo-a quase cair - "segure-se firme! Será melhor para ti, Celininha ou cairá!"
-Vocês não costumam derrubar as pessoas, Enter! - desafiou ela a bordo.
-Não me desafie, menina!
-Eu ando em Enterprises desde os meus seis anos de idade e conheço vocês muito bem! Além disso, eu tenho um também...
-"A mim você não conhece e não sabe oque poderei fazer" - rosnou ele - "sou um
Enterprise um pouco diferente dos outros que aparecem por aí."
Ele fez uma manobra que quase fizera Celine cair. Ela então gritou:
- RUUUUSSEEEELL!!!
-"Melhor se seeguraaaar!!!"
-Meu Deus, Sr. Tuur!! - gritou Angelina - ele vai acabar derrubando a Celine!! Faça-o
parar, por favor!!
-Ainda não, bonequinha! - respondeu ela.
-Eeei, quem te deu permissão para tal intimidade, hein?? Que abusado!!
-Chamar de bonequinha não é intimidade, que eu saiba, mocinha - defendeu-se ele.
-Pelo modo como me chamou, é um toque de intimidade. Mais respeito, por favor, certo?
-Quanto a isso, vou pensar no seu caso, Angelina - respondeu o operador, novamente. Virou-se para frente e começou a assobiar baixo uma música antiguinha. Estavam longe da casinha incendiada, mais próximos á mansão do Sr. Tuur. Os outros Enters estavam parados agora, perto dos jovens, apenas Bailarina encontrava-se no ar, pronta para pegar Celine, caso ela caísse. Não iria deixá-la agora. T-X também se juntou á ela no alto.
-"Será preciso nós duas para segurar Celine, se ela cair" - avisou a outra Enter.
-"Beleza, irmãzinha!" - elogiou Bailarina - "vamos nessa então!!"
-Enterprise, traga Celine aqui agora! - ordenou o homem - e vocês... hora de emabar-
carem nele. Preparem-se, meninos e meninas!!
Ele abaixara e trouxera a moça. O operador abriu a grade e pegou-a nos braços á for-
ça, pois ela relutara em ser pega por ele.
-RUSSELL pode me pegar - disse ela, desafiadora.
-"Não, Celine" - rosnou o temível Enterprise - "meu operador é quem irá tirá-la daqui. É melhor permitir, hein?"
-RUUUUUUUUSSEEEEEEEELL, SOCOOOOOOOOORROOOOOOOOO!!!
-Não ouviu o Enter? Russell NÃO a pegará. Venha, Celine! E vocês... EMBARCANDO!!
-"NÃO!" - alertaram Bailarina e T-X.
-"Ele vai derrubar vocês, fiquem junto de nós" - alertaram T-X e Bailarina. Do cen-
tro do temível Enterprise saíram vários braços mecânicos prateados, que agarraram os outros jovens, colocando-os em suas gôndolas e fechando-as bem. E subiu, rodopiando rapidamente. Bailarina e T-X o acompanharam.
-"T-X, desce e vá ficar com Celine" - pediu a irmã - "ela pode precisar de você agora."
-"Onde estão os outros, afinal?" - indagou T-X.
-"O Sr. Tuur os levou para a mansão" - responde a outra Enter - acho que ele os desligou e os deixou no quintal, para não fazerem nada."
Dentro da mansão, o homem ordenara aos dois amigos que levassem Celine para um quarto de hóspedes sem uso e a amarrassem bem para que ela não saísse.
-Não seria melhor amordaçá-la? - indagou Patrick.
-Pode ser melhor - respondeu ele.
-Nãããooo, me solta!!! - gritou ela.
-Vais ficar bem quietinha agora, menina - voltou-se o capanga - ordem do cara ali, ó.
-Não duvido... só podia ser mesmo...
-"Tire as mãos dela! Solte-a!" - chegou T-X, rodopiando e derrubando o moço.
-T-X, pare agora!! - ordenou o operador.
-T-X?? Vem aqui, menina - chamou Celine e a Enter desceu rodopiando para junto
dela. Começou a soltá-la, mas o operador deu-lhe um tiro e ela parou imediatamente,
caindo ao chão e desligando-se.
-NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!! - gritou Celine, tentando soltar-se das
cordas - olha só oque você fez, seu...MONSTRO!!!!!!! T-X, T-X??? Acorde, por favor!!!
-E a Bailarina, onde está, Sr. Tuur? - indagou Luciano, outro capanga.
-Lá fora, saboreando os ares - respondeu ele - e TENTANDO salvar os outros do meu temível Enterprise.
-Ela VAI conseguir!! - gritou Celine.
-Não, não vai - devolveu ele - meu Enter não permitirá. E seu amado Russell será o PRIMEIRO a cair lá do alto zuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum... TUM!! HAHAHAHAHAHAHAAAA!!!
-Seu monstro duma figa!!! - xingou ela - não tem vergonha??
-E porque teria, lady Enterpprise?? Hein? Me diz...
-Me solta, cara!! Não vou ficar amarrada aqui a vida toda!!!
-Vai sim, pelo tempo que eu decidir. E embarcará novamente no meu grandão...
-ISSO NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO!!!!!!!!! Prefiro entrar na Bailarina então...
Nisso, ele chamou sua temível máquina, que rapidamente aproximou-se da janela do quarto onde ele estava com Celine. Russell, a bordo, gritou para que ele a soltasse.
-Não, Russinho - respondeu ele.
Russell, então, abriu a grade e conseguiu sair, pulando a uns metros do chão. Levan-
tou-se e entrou correndo na casa, mas o Sr. Tuur portava agora uma pequena espada e começou a avançar sobre ele.
CAP. 10
Bailarina desceu rapidamente e tirou do centro de sua estrutura uma espada cravada
em pérolas azuis e imensa lâmina prateada afiadíssima. Começaram a lutar bravamen-
te, Russell, no começo, caindo, mas também tentando acertar Tuur, mas este, rápido,
esquivava-se dos golpes do jovem.
-É, rapaz... - elogiou o operador - você luta bem.
-É?? Obrigado. Pela Celine, minha amada. NINGUÉM, NEM NADA neste mundo nos separará!
Solte-a imediatamente!
-Não, Russinho... para vencer, é preciso saber perder. Perdi muito para enfim conse-
guir obter meus Enterprises, olhe só...
-E onde eles estão agora? - indagou o loiro - somente Bailarina e seu Enter estão
ativos, mas... e os outros? Me diga!!
-Eu os desliguei por um tempo, estão lá no quintal da minha mansão.
-E um deles está caído perto da minha Celine. Porquê?
-A T-X tentou soltar sua amada e eu não permiti. Dei um tiro para desligá-la.
-Você... ATIROU na sua Enter?? Como pôde fazer isso, você os tem para atirar neles, é??
-Só meu Enter se manterá ativo. Pois ele é fiel a mim, obedece apenas a mim...os
outros... nem falo!
Enquanto os dois lutam, o velho reverendo Graham apareceu por lá. E não teve uma boa recepção, pois o temível Enterprise soltou uma forte buzinada e rodopiou rapidamen-
te e passou raspando por ele, quase arrancando-lhe os poucos cabelos.
-AAAAAAAAAAAHHHHH, OQUE É ISSO??????? - indagou ele, indignado.
-Enterprise, desce - ordenou o Sr. Tuur - deixe o reverendo passar.
Ele desceu e parou, flutuando a poucos metros do chão,
-Virou parque de diversões aqui, é?? - quis ele saber - mas de um brinquedo só...
-Inovação, reverendo hehehe.
-Estou vendo. Mas ele estava muito rápido, vai acabar matando aquelas pessoas a bordo. E quem será o culpado? VOCÊ, é claro! E não adianta jogar o corpo fora, se ele é seu, é você o responsável. Agora peça áquelas pessoas ali que desembarquem AGORA!!! E por que essa luta de espadas?
Então, ele explicou ao padre tudo oque aconteceu desde o começo, quando o grupo desembarcou na cidade e oque viera fazer.
-Então é isso? - indignou o sacerdote - não tem vergonha? Isso não dá nenhum
direito a você, nem a ninguém de fazer oque fez. Peça desculpas á todos e prepare-se, que a polícia já está á caminho. Estou aqui de olho para que você não fuja.
O reverendo Graham contava agora 80 anos, mas era um homem saudável e forte, que regia sua pequena e única paróquia local com firmeza e rigor. Nos sermões, não
havia quem não prestase atenção, até mesmo as crianças gostavam de ouvi-lo. E sua
pequena casa era bem próxima á pequena paróquia. Era solteiro e junto havia apenas sua irmã, Camilla, que o auxiliava noque fosse preciso e também cuidava da casa e da alimentação de ambos. Também era enfermeira pediátrica no hospital da cidade. Ela tinha 50 anos e, além de enfermeira, também era ainda professora no período da tarde em uma escola infantil entre a casa e a paróquia.
Sirenes agora se faziam ouvir. Era a polícia chegando e cercando o local.
-Sr. Tivoli Tuur, a casa está cercada e o senhor está preso! Renda-se e saia com as mãos para cima!! - ordenou um policial pelo megafone.
Mas quando os outros jovens desembarcaram, foi a vez dele embarcar no seu temível Enterprise e alçar voo para o mais alto dos ares, rodopiando por aí até sair da vista de todos os que o viam.
-VENHAM ME PEGAR, SE PUDEREM!!! - gritou ele, em tom de zombaria - HASTA LUEGO!
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHHAAHHAAAAAA!!!!!! EU VOLTAREEI!!
CAP. 11
Mas a máquina não aguentou por muito tempo no ar e foi perdendo altitude até descer de vez, quando a polícia finalmente o pegou, colocando-o na viatura. Agora, realmen-
te, o Sr. Tuur fora preso. O grupo, a bordo da Bailarina, foi deixado no hotel e o reverendo em sua paróquia. No hotel agora, eles tomaram o elevador e subiram, entran-
do no quarto.
-Vamos descansar, pessoal - sugeriu Russell - e embarcar amanhã. Agora já está fican-
do muito tarde, né?
-Apoiado pra chuchu, Russy - defendeu a amada noiva.
No dia seguinte, o relógio do hall anunciou nove horas quando o grupo se levantou
e fez oque precisava antes de descer para o desjejum. As malas estavam prontas e
a mochilinha, que iria á mão também, pois poderiam precisar, principalmente dos documentos. Desceram e seguiram para o restaurante. Enquanto comiam, conversavam.
-Minha nossa! Não descobrimos nada, nem tiramos fotos ou filmamos! Nem mesmo acompanhamos as aulas! Perdemos a viagem e poderemos perder o ano - lembrou
Celine.
-Cê - chamou Carlos - Claudiney e eu gravamos uma conversa informal, como quem não quer nada, com o operador do top spin e com algumas pessoas que circulavam pelo parque.
-E alguém disse algo sobre o acidente? - indagou ela - o REAL motivo, oque REALMEN-
TE causou o incêndio? Aliás, foi para descobrir exatamente ISTO que fomos.
-Cê, todos lá foram testemunhas por...
-...APENAS terem visto acontecer, mas não sabem oque realmente causou o incêndio naquele dezoito de maio de dois mil e sete!! - voltou-se ela.
-Cê, aquela hora lá no parque... quando o Sr. Tuur trancou-se com você na cabine...
ele te disse alguma coisa? - um deles perguntou.
-E vocês acham realmente que ele iria dizer alguma coisa?? Eles nunca dizem a ver
dade!!
-Têm medo de serem presos se forem realmente os responsáveis pelos acidentes, causan-
do ferimentos nos outros, têm medo das autoridades...
-Com certeza, Clau! Ele só me disse que, apesar doque houve, o show tem que continu-
ar, como se nada tivesse acontecido!
-Apenas para manter os visitantes lá, correndo riscos enquanto eles faturam?? - in-
dignou-se Carlos.
-Pois é! - voltou-se ela - e o pior: mesmo que alguém soubesse, não iria dizer, pois
até mesmo as autoridades preferiram abafar o caso.
-Mas aquele motorista da van que nos levou ao hotel, quando chegamos aqui, disse
que as pessoas ainda comentam muito...
-Quis dizer que as pessoas apenas dizem: "aconteceu isso, foi assim, assado..." nada
mais, nem menos, oque realmente não ajudou em nada na nossa investigação. E olhem oque nos acontece depois, né? As consequências por termos vindo mexer em casa de marimbondo. E quando ele disse isso, não foram apenas ameaças vãs, ele CUMPRIU de nos fazer passar por tudo aquilo: eu quase morrendo queimada lá no parque, aquele sequestro... e tudo o mais. Ah, querem saber? - terminou ela - volta mos á estaca zero, agora só viajo nas férias e CHEGA de bancar a Sherlock Holmes! Acreditem se quiserem. Com licença, vou escovar os dentes. Ainda temos um viagem pela frente HOJE!!
-"Graças a Deus vamos voltar para o Brasil" - pensou Angelina para si mesma.
-Que Deus nos proteja e guarde! - orou Sarah.
-É mesmo... - voltou-se David - já carregamos muita cruz nesses dias em que estive
mos aqui.
-Bom... - anuniou Russell - vamos indo, galera! It`s time!
Os outros levantam-se da mesa e tomam o elevador para subir. No quarto, escovam os dentes, secam as escovas, colocam na mochila, pegam suas malas e descem novamente. Pagam o gerente e tomam um táxi para o aeroporto, onde, após tudo fiscalizado e liberado, seguem para a pista anunciada pelo auto-falante.
-"Atenção por favor" - uma voa de mulher se fez ouvir- "vôo para o Brasil. Passagei-
geiros, por favor, seguir para a pista um, onde o avião os aguarda."
-Pista um - disse Russell - vamos.
E foram. Suas malas, já etiquetadas, foram colocadas no bagageiro e eles embarcaram, Celine com a mochilinha. Sentou-se junto do amado novamente e os outros espalharam-se. Claudiney sentou-se atrás do casal. David e Sarah estavam pouco mais atrás e Carlos e Angelina do lado oposto do corredor, duas poltronas á frente de Russell e Celine. O comandante e o piloto entram e fecham a aeronave. Recebendo o ok da torre, dá a partida para decolar. Pega o microfone e faz sua voz ecoar pelo alto-falante, dando as instruções necessárias e desejando a todos uma boa viagem, e que o bom Deus
a todos acompanhasse e guardasse. O vôoo era sem escala e, em menos de uma hora, já estavam pousando no aeroporto de Guarulhos e desembarcando. Tomaram um táxi e rumaram
para a República Bom Jesus, em São Paulo.
-E aê, galera, beleza? - cumprimentou Lúcio, o estudante japonês - como foi lá?
E os sete amigos contaram tudo, mas antes subiram para os quartos a fim de deixarem suas bagagens.
-Vamos arrumar amanhã e descansar hoje, certo? - sugeriu Celine e todos concordaram. Ela também sugeriu passarem o fim de semana em sua casa, iria falar com seus pais, que já conheciam a turma.
-Nossa! beleza, Cê! - explodiu Angelina - assim, poderemos conhecer seu Ballyan!
-Até mesmo embarcar nele - completou Sarah - deve ser lindo!
E assim, tudo voltou ao normal para todos na Bom Jesus e o grupo retomou a sua roti-
na de trabalhos e estudos. Mas pelo menos por hoje, pois amanhã...é um novo dia e nunca se sabe oque poderá acontecer!
F I M
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