domingo, 10 de outubro de 2010
"O DESTINO DE POLLY"
CAP. 5
Já no carro da irmã da vizinha, de volta para o aerorporto e, uma vez já em Cruz-Credo, o pavor voltou a tomar conta da menina. Durante todo o trajeto da volta, pensava em Neeor, desejou ter continuado com ela, que a médica a adotasse. Chegaram, e lá viram seus pais zangados no velho portão enferrujado.
-Pra donde levô nossa fia? - perguntou Seu José, de braços cruzados.
-Desculpem, eu a levei ao médico, atitude que vocês nunca tomariam - respondeu a vizinha com naturalidade e sem se deixar intimidar - Polly resfriou e sua gripe ficou mais forte por todo esse tempo.
-Que nada, ela tá bem - trovejou ele - isso é discurpa pra num trabaiá i ficá sonhando acordada pelos canto, di priguiça!
-Vocês a fazem sair vestida assim pra trabalhar fora nesse frio!
-Será qui ocê num vê nossa condição? - urrou D.Lolita - tá cega, é? Num temo nem o qui cumê dereito, porra! Polly, sai dessa porquera di carroça ou eu vô te surrá até! E num vamo aceitá peninha, nem doação de ninguém, nois tem qui superá as dificurdade sozinho e trabaiá muito pra mor di sê arguém nessa vida!
-Vai, Pollynha - murmurou a boa vizinha - é melhor, não tente piorar mais as coisas.
-Oquê, "Pollynha"?? - esbravejou José - ora, vai falá manso cum tua avó! Cum essa mardita di
sinfeliz aí é nos tranco mermo!
Ela saiu do carro e D. Lolita deu a partida, acenando e saindo de volta para casa. Lá dentro da pe
quena casinha, o caldo engrossou e transbordou a valer para o lado da menina. Ela foi brutal
mente surrada pelos dois até seu corpinho ficar quase todo em carne viva, enquanto a xingavam aos gritos.
-Donde é esse mardito dotor que tu foi? - quis saber a mãe - disimbucha, besta!
-Em São Paulo, fomos de avião - disse ela.
-Larga di sê mintirosa, garota! Avião é pra gentinha rica!
-O marido da D. Dalila trabalha e ganha bem, então conseguiu e nos deu passagem pra irmos lá.
-Donde qui ocê aprendeu a falá bem, minina? O qui ocê tem lido, orvido, si nem sai?
-Vorta o assunto, esse dotor é muié ou hómi? - voltou-se o pai - e o qui te mandô?
-M-mulher - respondeu ela, timidamente - me examinou, passou um remédio pra tomar e pediu descanso.
-Mas tu num comprô o tar dito-cujo, né? - desconfiou a mãe.
-Não, sabia que vocês não deixariam eu tomar...
-Craro! Dado por gente istranha, vai que é arguma porquera qui pode fazê mar? Na próxima vez, nois vai junto pra sabê quem é essa tar dotora - avisou o pai, saindo. Foi até a casa da vizinha e pediu com o esposo da mesma, duas passagens para ele e D. Lolita, alegando quererem conhecer a médica que atendeu a menina. E o vizinho atendeu, dizendo que iria conseguir passagens para os três. Agradecendo, José deutchau e voltou para casa.
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