domingo, 10 de outubro de 2010
"O DESTINO DE POLLY"
-Isso. Nunca peguei uma boneca, uma bola, um carrinho... eles nunca deixavam.
-E nunca rolou na terra, andou a cavalo, nem nada disso?
-Nunca. E nunca tivemos bicho nenhum, eles não gostam. Dizem sempre que fazem muito baru
lho e sujeira.
-Sempre que fizer tudo isso deve lavar as mãos depois, quando parar e sentar-se para comer, por exemplo.
-Toda hora?- perguntou de novo.
-Quando parar para comer e depois de usar o banheiro, deve lavar as mãos antes. Não precisa ser exatamente a toda hora. Quando brincar dentro de casa com boneca, jogo ou ler, não precisa, embora seja bom, pois passam bichinhos ás vezes onde as coisas ficam guardadas, é normal.
-Ouvia outras crianças vizinhas lá da roça falá im iscola...
-Falar em escola, né? Nunca foi?
-Nem isso eles dexava...
-Não deixavam... - era o modo indireto da médica corrigir as falhas da menina sem que esta per
cebesse - agora, vamos enxugar as mãos para tomarmos um café bem gostoso, D. Vitória deve ter deixado tudo já prontinho!
D. Vitória, uma empregada de meia idade e muitos anos de trabalho para a família, preparava tudo e deixava a grande mesa da cozinha pronta para o café matinal. Logo gostara também da pequena Polly.
-Como chama sua filha, tia Nee?
-Looping Star - respondeu - tem 7 anos.
-Nossa, é diferente... eu não sei quantos anos eu tenho, nunca me falaram nada.
-Nem mesmo onde e quando nasceu?
-Escutei vizinhas falarem que foi em casa, mas sem iscrivinhá im paper ninhum.
-Sem escrever em papel algum... - corrigiu - "sem registro algum e parto em casa com parteira... assim vai complicar..."- pensou consigo mesma - sabe onde vocês moravam?
-Im Cruis-Credo, é só roça.
-Cruz-Credo... - logo se lembrou de D. Dalila a boa vizinha que levou a pequena Polly em seu con
sultório aquele dia. Talvez, ela soubesse algo mais. Porém, seria trazer os pais da garotinha à to
na, tudo voltar a ser como antes, como se todo aquele momento que agora vivia com a família da médica se acabasse e a adoção não acontecesse, ficando apenas em sonho.
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