domingo, 10 de outubro de 2010
"O DESTINO DE POLLY"
Era como trazer de volta a lembrança de todas as coisas ruins que a menina passara nas mãos de seus pais cruéis. Pois não sabe se o casal José e Lolita retornaram á sua humilde roça ou se mu
dou para outro lugar. Procurou em sua agenda o número do telefone que esta vizinha lhe dera, o dela mesma, e ligou mais tarde, indagando se poderia ir em seu consultório para conversarem após o almoço. A roceira assentiu e, na hora marcada, como estava em SP na casa de sua irmã, fora ao local e o encontro aconteceu. Um gravador fora usado com aviso antecedente e a senho
rinha não fizera qualquer objeção. Achou até bom, pois poderia ajudar no processo de adoção, afinal, tabém queria o bem e a felicidade da pequena ex-vizinha. D. Dalila sabia, pois Neeor co
mentara na primeira visita que fizeram aquele dia em que ali entraram, sobre o ato. A 'consulta' demorou uma hora e meia. Nesse meio tempo, a médica conseguiu obter de D. Dalila o maior nú
mero de informações sobre Polly e sua família. Descobrira que nem registrada e vacinada a garo
ta era, nem mesmo nunca fora á escola. Nascera em casa mesmo, pelas mãos de outra vizinha parteira e nunca marcaram, nem mesmo disseram nada a ninguém, nem mesmo á própria filha sobre seu nascimento, a fim de impedir qualquer festejo ou ganho de presentes por parte de quem querque seja. Alienaram-na totalmente do mundo e nem á escola deixavam-na ir. Segundo o casal, aprender a ler, escrever e contar a tornaria independente, esperta e capaz de lutar por seus sonhos. E ter colegas tornaria ter amigos para convidar em casa ou receber convites, brin
car e sair, além de estimulá-la a ter brinquedos ou pegar de outras crianças. E assim, a escravi
dão imposta pelos pais teria o fim que os mesmos jamais desejavam.
-Seria melhor vocês a adotarem e registrarem com a data em que entrou para a sua família - su
geriu a boa roceira cruz-credense. Era sim roceira, mas ao contrário de Polly e sua família, teve tudo o que a menina não teve, principalmente a oportunidade de estudar e agora ganhava a vida como professora particular das crianças da zona rural, enquanto seu esposo Lauro trabalhava co
mo guia em um parque ecológico da região amazônica.
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