domingo, 10 de outubro de 2010
"O DESTINO DE POLLY"
-Dexa que nois entra cum ela - sibilou José entredentes á vizinha.
-Vamos logo, priguiçosa, anda! - forçou a mãe. Lá dentro da sala da médica...
-Intonce ocê é a tar dona dotora - indagou ele. Ela assentiu, estendendo a mão, mas ele a mante
ve cruzada, a esposa também.
-Sô José i essa é minha muié, D. Lolita - disse, carrancudo - vamo logo cum isso!
-E tu, como chama, dona? - indagou a mulher.
-Neeor Lappy - respondeu, sem se deixar intimidar.
-Que raio di nome é esse? Credo!
-Foram meus pais quem me puseram, não sou daqui. Sentem-se por favor, sim? Polly, quer ficar ali na mesinha pintando?
-Ela num qué nada, sinão apanha - retrucou a mãe.
-Óia a injeção, si mexê nas coisa!
-Em primeiro lugar, peço que por favor, nunca ponha medo na criança, certo?
-Errado - retrucou a mulher - a fia é nossa e nois faiz o qui nois quisé cum ela! Tem qui metê me
do i dá uns tapa na bunda mermo pra num fazê coisa errada!
-Ela não brinca, não vai á escola...?
-Óia aqui, dona dotora, a sinhora num tem nada qui ficá ispiculando nossa vida. O qui nois faiz ou dexa di fazê diz respeito só a nois mermo!
-Aprovado, marido! Função di dotor é metê umas injeção na bunda pra sará as doença e pronto, nada mais!
-Tudo tem que ser levado em conta - continuou a médica, sem perder a classe. D. Lolita explicou até os hábitos diários.
-Ela num faiz nada disso, só trabaia pra ajudá nois na roça. Mas nem pra isso essa besta serve, é uma priguiçosa, disinfeliz, imprestáver!
-Que tipo de trabalho obrigam-na a fazer?
-Capina, ara a terra, faiz os serviço de casa...
-Trabalho pesado, escravidão... exploração infantil é crime, hein?
-Ara, nois num sabe nada disso, dona! Im Cruiz-Credo num tem dessas bestage não!
-Sim... Polly, querida, posso te examinar de novo? Vem aqui, por favor. E lá foi-se ela, sentando-se na cadeira de exames. A moça a examinou e a menina continuava de peito cheio.
-Não tomou o remedinho que passei? Ah, seus pais, com certeza, não deixaram, né? Olha, vamos usar um aparelhinho novo hoje para ver o ouvido, ele só acende uma luzinha, quer ver?
-Pára cum essa bestage e acaba logo cum isso, que temo pressa, dona - exigiu a mulher - e Polly, se tocá um dedo qui seja im quarqué coisa, vai tê quando chegá im casa i tu sabe muito bem! Lar
ga di sê inxirida i dexa a dotora te oiá pra nois i imbora!
A médica olhou sério e feio para o casal, voltando a olhar para a menina, deixando-a ver e pegar o aparelhinho. O casal, ao ver a cena, levantou-se rapidamente, agarrou a filha de qualquer jeito e correu para a porta.
-Tia Neeor - chamou.
-Cala essa fuça, sua filha da p* - ordenou a mãe. O pai abriu a porta, dando de frente com Impe
rator barrando-lhes a passagem.
-Toquem um dedo ou xinguem mais uma vez essa criança e eu não respondo por mim!
-É nossa fia, nois faiz o qui nois quisé - retrucou José - sai da frente di nois e cuida da sua vida! Nois nun tem medo di ocê não, seu mardito! Cão qui late num morde i ocê é grande, mais num é dois!
-Daqui não sairão - avisou, ainda barrando-lhes a passagem - a menina fica conosco!
-Impy, temos que arranjar outro jeito - aviou Neeor, tranquilizando o esposo - assim é pior.
-Com esse tipo não há outro modo, amor, vê? Não são nada pacíficos nem mesmo com a prórpia filha!
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