domingo, 10 de outubro de 2010

"O DESTINO DE POLLY"

À mesa do café, Polly estende a mão para pegar a geleia de frutas, quando toma um forte tapa. -Isso não é pra tu, Polly - esbraveja a mãe - é pão puro memo que tu vai comê, cum esse pinga dinho aí di café, i di pressa! Anda, minina! Ela então termina o café, sai para passar uma água na boca - pois nem escova de dentes a família tem - pega em seguida os instrumentos e segue para o campo. Não possuíam animal algum, pois, além da falta de condição de cuidar, seus pais não gostavam. "Faiz muito baruio i sujera", diziam ambos. De vez em quando apareciam alguns passarinhos, mas logo eram tocados. Havia apenas um pequeno pomar e, próximo á cozinha, um pequeno canteiro, onde D. Lolita plantava matinhos de tempero para a pouca comida, quando raramente tinham algo decente que comer, a não ser o pouco que colhiam do pomar. Era um sitiozinho muito minúsculo mesmo, tanto a área externa, quanto a interna. A pequena casinha, quanse caindo aos pedaços, consistia em dois quartos, cozi nha, banheiro e uma saleta, tudo muito pequeno. Nada de televisão, revista ou rádio. E Polly na da tinha com o que se distrair ou divertir: nada de livros, cadernos, lápis de cor e nem mesmo brinquedo algum. Nem á pequena escola tinha permissão para ir, pois seus pais a obrigavam a passar todo o tempo trabalhando dentro de casa ou na roça, capinando e arando a terra.

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