domingo, 10 de outubro de 2010
"O DESTINO DE POLLY"
CAP. 2
Enquanto capinava, Polly vira algumas crianças passarem com brinquedos simples de criança de roça. Prém, eram felizes, mostravam umas ás outras e juntavam-se para brincar no pequeno campinho baldio onde algumas vezes, havia quermesse. E como suas famílias tinham pouco mais de condição, seus filhos iam á escola, falavam melhor e mais certo.
-Olha só minha boneca de pano - disse uma garotinha.
-E o meu pião - exibiu um garoto - meu pai que fez, é um bom carpinteiro!
-O meu é um carrinho - tagarelava um segundo garoto.
-E eu tenho esse joguinho de dominó - dizia toda feliz outra garota - vamos jogar?
Polly fizera uma pausa e ficou poralguns minutos observando e sonhando. Lágrimas brotaram de seus pequenos olhos escuros, até que seus pais apareceram na janela.
-Polly, quié qui tu tá fazendo? - urrou a mãe- pára di sonhá i trabaia, peste! Tu sabe qui nunca vai tê nada disso!
A atitude do pai foi pior. Ele saiu e enxotou as outras crianças aos gritos e pedradas, arrancando-lhe os brinquedos de suas mãos e jogando-os com fúria cega ao chão para quebrá-los.
-SUMAM daqui, seus bando di disocupado, vão trabaiá i enchê o saco dos otro!
Não foi preciso falar mais. As crianças correram assustadas, gritando e chorando. Foi quando seus pais apareceram no caminho.
-Oque foi, Jurema? - indagou a mãe da primeira garota.
-Cadê seu carrinho, Francisco? - perguntou o pai de um dos garotos. E cada um contava a seus pais o que havia acontecido.
-O que é isso, Camila? Todos vocês estão machucados, alguém jogou algo em vocês?
-Pedras, um homem bravo jogou pedras - contou a garota do jogo de dominó.
-Vão para casa - pediu um dos pais - vamos resolver isso, tá bem?
Assentindo com a cabeça, as quatro crianças foram, cada uma para sua casa, enquanto seus pais foram tirar satisfações com Seu José.
-Muito bem, por que fez aquilo?
-Aquilo oquê? - ele se fez de desentendido.
-Gritou com nossos filhos, jogou pedras e quebrou os brinquedos deles.
-Pru que elis passô no meu portão i minha fia ficava oiando i sonhando cum o que nuna vai tê, i ainda distraía do trabaio que eu mando fazê.
-E isso é motivo pra agir desse modo? Gritar, apedrejar e destruir as coisas dos outros? Gostaria que fosse com você e sua família?
-I vô fazê mais sempre, pra mor di evitá qui minha fia fique distraída, sonhando pelos canto i pa
re di trabaiá, qui é obrigação dela.
-Pois muitobem, Senhor José - voltou-se um pai, revoltado - vamos denunciá-lo para as autori
dades e deixar que a justiça faça seu devido trabalho.
-Si oceis achá otoridade aqui im Cruis-Credo, né? - debochou o caipirão.
-Mas tem, é que você não procura e não vê.
-Polly, já pra dentro - ordenou o pai, virando-se para a menina. Sem titubear, ela obedeceu pron
tamente.
-O que tá acontecendo? - perguntou ela em voz baixa.
-Curpa sua, peste! - esbravejou a mãe - quem manda tu ficá distraída, oiando aquelas criança is
farrapada passá cum coisas qui tu nunca vai tê? E vê se ingole esse mardito choro ou eu te arre
bento os dente!
E desceu a mão com tudo na filha, sem piedade. Ela cambaleou e caiu.
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